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Alemanha inicia 1º julgamento de ucraniano acusado de explodir o Nord Stream, 4 anos após ataque

Estão previstas 16 datas de audiências, que vão até 17 de dezembro.
Alemanha inicia 1º julgamento de ucraniano acusado de explodir o Nord Stream, 4 anos após ataqueGettyimages.ru / Dragan Mihajlovic

Nesta quarta-feira (14), começou na Alemanha o julgamento pelo atentado contra o gasoduto Nord Stream.

O ucraniano Sergey K. comparecerá a um tribunal de Hamburgo, acusado de organizar uma operação secreta que causou a explosão dos gasodutos, informou a Reuters.

Ele também é acusado de liderar um grupo de agentes ucranianos, entre os quais havia mergulhadores e um especialista em explosivos, para executar a operação de sabotagem.

Os promotores afirmam que Sergey K., preso na Itália no ano passado por força de um mandado internacional, trabalhou com outros integrantes das Forças Armadas para planejar a operação clandestina em nome de entidades estatais ucranianas não identificadas.

Segundo o Ministério Público alemão, os atos atribuídos ao acusado podem constituir um crime de guerra.

Estão previstas 16 datas de audiências, que se estenderão até 17 de dezembro. 

O caso se tornou "diplomática e politicamente delicado" para o governo alemão, que continua apoiando firmemente a Ucrânia, apesar das pistas que ligam Kiev ao episódio.

O que a Rússia diz sobre a condução do caso pela Alemanha?

No início de setembro, Vladimir Putin lembrou que, após a destruição dos gasodutos, vitais para a Alemanha por forneciam gás natural russo diretamente e a baixo custo, Berlim acusou Moscou pelo ataque.

"Na época, fiquei perplexo com a forma como eles puderam inventar tamanha bobagem. Quer dizer, nós temos um interesse direto em vender gás para a Europa", declarou o presidente russo.

Ao mesmo tempo, ele ressaltou que a Rússia estaria disposta, mesmo agora, a fornecer gás aos países europeus, acrescentando que eles só precisam "tomar a decisão de apertar aquele botão".

"Mas que lhes falta coragem por causa das sanções dos EUA, só isso", enfatizou.

Por sua vez, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou recentemente na última quinta-feira (8) a decisão sem precedentes do tribunal de rejeitar o pedido das empresas operadoras — Nord Stream AG e Nord Stream 2 AG — para participarem do processo penal como coautoras da acusação.

Zakharova explicou, citando o próprio tribunal, que o objeto do processo é estritamente estabelecer a culpa do acusado ucraniano e que "o único interesse deles é saber como o próprio acusado cometeu fisicamente esse crime".

"Como ele se aproximou nadando, às escondidas, mergulhou e fez tudo. E todo o resto, segundo o tribunal alemão, supostamente não tem relação com o caso", criticou.

Ela afirmou que Moscou não está surpresa com o rumo dos acontecimentos, uma vez que a Alemanha, em violação às suas obrigações internacionais de assistência jurídica em matéria penal e às convenções antiterroristas, "evitou cooperar com as autoridades policiais russas na investigação do crime contra uma instalação de infraestrutura crítica europeia", ressaltou.

A porta-voz garantiu que Moscou, por sua vez, continuará a desenvolver de forma consistente seus esforços internacionais "para identificar e punir não apenas os executores, mas também os verdadeiros autores deste atentado terrorista, sem precedentes em todos os aspectos".

Sabotagem do Nord Stream

  • Segundo as autoridades alemãs, um grupo de sabotadores, que incluía os detidos Vladimir Z. e Sergey K., ambos cidadãos ucranianos, colocou explosivos nos dutos submarinos perto de Bornholm, uma ilha dinamarquesa no mar Báltico. Para realizar a operação, os suspeitos teriam utilizado um iate que partiu do porto alemão de Rostock.
  • Os governos da Dinamarca, Alemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações sobre o ocorrido e ignoraram os pedidos da Rússia, que pediu para auxiliar no caso, informou o New York Times à época.
  • Em 2023, o renomado jornalista norte-americano Seymour Hersh concluiu que a Casa Branca, sob comando do então presidente Joe Biden, estaria por trás do atentado.
  • Órgãos da imprensa ocidental responsabilizaram grupos de sabotagem ucranianos pela explosão que teriam chegado ao local do ataque em um iate chamado Andrômeda.