Os investidores estão exagerando a probabilidade de um confronto militar por causa de Taiwan, afirmou nesta quinta-feira (8) o secretário de Estado adjunto dos EUA para Assuntos do Leste Asiático e do Pacífico, Michael DeSombre em uma entrevista à CNBC.
"Na verdade, acho que a maior distorção de preços está em relação a Taiwan, onde as pessoas estão superestimando o risco de algo acontecer no Estreito de Taiwan", disse.
Ele ainda acrescentou que "Tanto a China quanto os EUA não querem conflito, e somos capazes de dissuadir o conflito".
Riscos para o mercado global
Os especialistas, no entanto, advertem que os mercados financeiros podem estar mal preparados para as consequências econômicas de uma crise.
Taiwan domina a produção global de semicondutores avançados, fornecendo chips essenciais para smartphones, veículos e sistemas de IA. Um bloqueio ou uma escalada militar poderia interromper a produção e as principais rotas marítimas, enviando ondas de choque pelo comércio global e pelas cadeias de suprimentos de tecnologia.
Um confronto também poderia abalar o comércio entre EUA e China, gerando novas tarifas, restrições de exportação e controles de investimento. Mercados asiáticos e tecnológicas americanas seriam os mais vulneráveis.
Conforme a MarketWatch, investidores já embutiram os riscos geopolíticos nas ações ligadas a Taiwan, como a gigante produtora de chips TSMC.
- A China, assim como a imensa maioria dos países do mundo—, inclusive Brasil e Rússia — considera Taiwan, autogovernada desde 1949, como parte inalienável de seu território.
- A situação no Estreito de Taiwan se agrava devido aos exercícios militares regulares das forças da ilha com o uso de armamentos dos EUA e aos exercícios realizados com outros membros da OTAN e aliados na região; no entanto, Pequim insiste que a via militar seria um último recurso para resolver a disputa e, embora a China se reserve a esse direito como qualquer Estado soberano, deseja evitá-lo.