A Rússia está realizando esforços para combater o recrutamento de mercenários para as Forças Armadas da Ucrânia. A declaração foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, no documentário "Mercenários. Desilusão", conforme informou o Vesti neste sábado (10).
"O recrutamento de combatentes [...] pelo regime de Kiev no exterior realmente se tornou parte da estratégia política e militar ucraniana", afirmou a porta-voz.
Segundo Zakharova, "em violação de todas as normas do direito internacional e das convenções de Viena sobre relações diplomáticas e consulares, o recrutamento foi realizado, entre outros meios, também por meio dos sites das embaixadas, consulados-gerais e representações permanentes da Ucrânia no exterior".
"A Rússia reagiu a isso, enviou as devidas notas de protesto e trabalhou com as autoridades dos países anfitriões para que essa prática fosse minimizada e reduzida a zero", argumentou.
Nesse contexto, afirmou que Kiev recruta estrangeiros por meio de enganação, inclusive pelas redes sociais.
"[Trata-se de] um terreno fértil para buscar, recrutar, aliciar e, essencialmente, também enganar estrangeiros com o objetivo de levá-los ao massacre. Por que enganação? Porque não lhes dizem para onde serão enviados. Simplesmente, por assim dizer, são recolhidos como por um aspirador de pó, inclusive por meio das redes sociais e de aplicativos de mensagens. Prometem de tudo a essas pessoas, fazem todo tipo de oferta tentadora", declarou.
Zakharova também afirmou que nos países bálticos e na Polônia foram instalados campos especiais nos quais mercenários são treinados para serem enviados à Ucrânia.
"Essas pessoas eram preparadas no território de países como, principalmente, a Polônia. E, claro, nos países bálticos. Ali, eram preparadas em campos especiais, treinadas para combater em áreas urbanas", afirmou.
Não se trata "de dezenas, nem sequer de centenas" de combatentes treinados, acrescentou.
"Do lado das Forças Armadas da Ucrânia também combatem os chamados profissionais de carreira da OTAN. Na verdade, são simplesmente mercenários, assessores militares, instrutores e especialistas técnicos que de modo algum prestam apenas apoio consultivo, mas efetivamente combatem", afirmou a diplomata.
Zakharova também afirmou que a Ucrânia não valoriza nem mesmo seus próprios cidadãos e que, portanto, dificilmente trataria os mercenários com cuidado.
"Se o regime de Kiev nem sequer cumpre suas promessas [aos próprios cidadãos], aconteça o que acontecer, vocês realmente acreditam que vai ter consideração por aqueles que foram levados através da Polônia, vindos do continente africano, da Ásia ou da América Latina? A resposta é evidente. Claro que não", enfatizou.
Na Rússia, são realizados processos judiciais contra mercenários de diferentes países que combatem ao lado de Kiev. Vários deles já foram condenados.
O Ministério da Defesa da Rússia já afirmou repetidamente que o comando ucraniano utiliza mercenários como"bucha de canhão" e que, para muitos desses combatentes, a única opção é fugir ou morrer.