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Regime ucraniano está utilizando suas embaixadas para recrutar mercenários, denuncia Moscou

Recrutamento ocorre principalmente na África e América Latina e envolve promessas enganosas e condições adversas.
Regime ucraniano está utilizando suas embaixadas para recrutar mercenários, denuncia MoscouGettyimages.ru / Nikoletta Stoyanova

A Rússiaafirmou que o regime ucraniano está utilizando suas missões diplomáticas ao redor do mundo para recrutar mercenários para o conflito. A denúncia foi feita durante reunião da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), nesta quinta-feira (16).

Segundo o representante russo Dmitry Polyansky, cerca de 20 mil combatentes estrangeiros estão atualmente integrados às Forças Armadas ucranianas.

"O trabalho mais ativo e transparente está sendo realizado pelas embaixadas ucranianas na África e na América Latina", afirmou Polyansky.

Os estrangeiros são atraídos por promessas enganosas e enviados para as posições mais críticas dos combates. "Em busca de bucha de canhão, os recrutadores utilizam diversos recursos online, enganando abertamente as pessoas sobre as reais condições de serviço", disse Polyansky, acrescentando que existem "centenas, senão milhares" de casos desse tipo.

Relatos apontam dificuldades de mercenários no conflito

Depoimentos revelam os desafios enfrentados por quem decide se juntar ao combate. O brasileiro Redney Miranda viajou à Ucrânia para atuar como combatente e relatou as dificuldades encontradas. Ele contou que inicialmente foi para a guerra em busca de "adrenalina".

Segundo Miranda, a intenção inicial era permanecer apenas 30 dias, mas o período acabou se estendendo por quase seis meses. Durante esse tempo, ele enfrentou a escassez de alimentos e chegou a perder quase 28 kg enquanto atuava na linha de frente.

O brasileiro afirmou ter presenciado de perto a morte de companheiros e decidiu deixar o conflito após a perda de um amigo próximo. "A gente teve que correr dos próprios ucranianos", disse ele. "Tivemos que lutar contra eles para conseguir fugir da trincheira e ir para uma cidade mais próxima", acrescentou.

Outros relatos também apontam promessas enganosas. Um ex-combatente afirmou ter sido atraído por uma oferta de "50 mil", acreditando se tratar de dólares, quando, na verdade, o valor era pago em grívnias — a moeda oficial do regime ucraniano —, o que correspondia a pouco mais de R$ 5 mil.

Um ex-mercenário dos Países Baixos também relatou problemas como corrupção, abusos internos e a presença de grupos extremistas. Ele afirmou ter visto "símbolos nazistas, suásticas e bandeiras com Stepan Bandera (um colaborador nazista, de nacionalidade ucraniana)" em instalações militares. "Não quis mais ter nada a ver com isso", declarou.

País avança contra o mercenarismo

Na América Latina, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sancionou uma lei que ratifica a Convenção Internacional contra o Recrutamento, Uso, Financiamento e Treinamento de Mercenários, adotada pela ONU em 1989.

Segundo o deputado governista Alejo Torres, o objetivo é impedir o envio de combatentes para conflitos no exterior. "Isso nos impede de continuar exportando morte, de continuar enganando homens e mulheres e de nos tornarmos uma fonte de dor em outros países", afirmou.