Escanteado? Eduardo Bolsonaro é afastado da campanha de Flávio e não terá cargo em eventual governo

Cúpula do candidato considera "zero" a chance de nomeação do ex-deputado, mas aliados contestam a avaliação e afirmam que ele "será o que quiser".

A cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) descarta a possibilidade de Eduardo Bolsonaro assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo do irmão. O ex-deputado também está fora das consultas e decisões sobre os rumos da campanha, conforme apuração da colunista Bela Megale, do jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira (9).

A cúpula da campanha de Flávio classifica como "zero" a chance de Eduardo assumir o Itamaraty. O grupo considera o ex-deputado radical e defende que ele não ocupe nenhum cargo em um possível governo do senador.

Apesar da resistência, integrantes da campanha avaliam que Eduardo pressionará para assumir o Ministério das Relações Exteriores ou o posto de embaixador brasileiro nos Estados Unidos, onde mora.

Aliados próximos de Eduardo, porém, contestam a avaliação da cúpula da campanha e afirmam que o ex-deputado "será o que quiser" caso Flávio seja eleito presidente.

"Flávio é malandro, fala o que as pessoas querem ouvir", afirmou um interlocutor de Eduardo ao O Globo.

Pessoas próximas ao ex-deputado também reconhecem que uma ala da campanha tem "pavor" de Eduardo e "tenta, sem sucesso, afastar o senador do irmão".

Posição de Eduardo

Em um vídeo publicado recentemente no YouTube, Eduardo evitou confirmar uma possível indicação para o Itamaraty. "Não estou falando isso. Os ministros são anunciados pelo presidente Flávio Bolsonaro", declarou.

Na mesma gravação, o ex-deputado afirmou ter contatos com autoridades norte-americanas e capacidade de aproximar Flávio do presidente Donald Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio, para tratar da classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos narcoterroristas.

Eduardo também afirmou que, caso Flávio seja eleito, o Brasil transferirá sua embaixada em Israel para Jerusalém e integrará o "Escudo das Américas", aliança de segurança formada por Trump com países latino-americanos de direita.