
BNDES negocia financiar projeto de terras raras de R$ 2,6 bilhões em MG

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) negocia um projeto bilionário de terras raras previsto para o sul de Minas Gerais. O estudo de viabilidade estima o financiamento em US$ 498 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões). A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo na quarta-feira (7).
Além do crédito, a operação pode incluir a entrada do BNDESPar, braço de participações do banco estatal, como sócio minoritário. O projeto prevê trazer ao Brasil etapas industriais de processamento desses minerais, em vez de apenas exportar o minério bruto.

A Meteoric Resources, companhia australiana já instalada na região, foi comprada nesta semana pelo grupo também australiano Lynas, em uma transação de cerca de R$ 3,5 bilhões, feita integralmente em ações. O BNDES já conversava com a Meteoric antes disso, no âmbito de uma chamada pública lançada com a Finep em janeiro de 2025 para industrializar minerais estratégicos.
Em junho de 2025, o programa selecionou 56 planos de negócios, que somam R$ 45,8 bilhões, e o da Meteoric está entre os dez mais adiantados.
Crédito é a etapa mais avançada
O negócio ainda não foi fechado. Pessoas próximas à operação dizem que a etapa mais avançada é a do crédito, e não a da sociedade. A Lynas já havia sido apresentada ao banco antes de anunciar a compra; houve uma reunião no Rio de Janeiro em 17 de setembro, e a aquisição foi oficializada em 30 de setembro.
A mudança de controle tem dois efeitos. A Lynas tem mais capacidade financeira e pode oferecer garantias, o que tende a facilitar o crédito, mas será preciso revisar a habilitação e a estrutura societária apresentadas ao banco, sem prazo para concluir a análise.
A Lynas informou que pretende avaliar alternativas de financiamento, como financiamento estratégico, de projetos e recursos próprios. Uma eventual participação do BNDES em sociedade brasileira controlada pela Lynas não o tornaria automaticamente acionista da matriz australiana.
Alternativa à produção chinesa
O BNDES afirmou que "não comenta operações não aprovadas". Internamente, de acordo com a Folha, o banco vê no Caldeira o empreendimento mais capaz de dar a partida em uma cadeia nacional de beneficiamento de terras raras e minerais críticos, tornando o país uma alternativa global à produção concentrada na China.
A Meteoric, que tem sede em Perth e atua em Poços de Caldas por meio da Meteoric Caldeira Mineração, adquiriu os direitos de exploração da Togni Materiais Refratários em dezembro de 2022 e ainda precisa cumprir etapas de licenciamento.

