Presidente do PL reconhece trama golpista e é questionado sobre nova tentativa num governo Flávio: 'sei lá'

Dirigente defende anistia imediata aos condenados pelo 8 de Janeiro e garante participação informal de Jair Bolsonaro em eventual governo do filho, apesar da prisão do ex-presidente.

Em entrevista ao programa Timeline da Rádio Gaúcha na quarta (7), Valdemar Costa Neto, presidente do PL, admitiu que integrantes do governo Bolsonaro discutiram dar um golpe de Estado em 2022 para se manter no poder, mas argumentou que o planejamento golpista "não é crime".

"Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois que está errado e para no meio?", afirmou Valdemar, quando questionado pelo jornalista Paulo Germano.

O presidente do PL justificou sua posição sustentando que "a lei diz que você pode planejar um assassinato, mas se você não assassinou o camarada, e não tentou, não é crime".

A discussão circundava a eventual anistia aos envolvidos nos ataques em Brasília de 8 de Janeiro de 2023 em um governo de Flávio Bolsonaro (PL), para a qual o dirigente prometeu ação imediata.  "Ele vai fazer no primeiro dia. Ele vai tomar decisão imediata para soltar esses 180 infelizes que estão presos", declarou à Rádio Gaúcha.

Condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso Mensalão e réu por peculato, corrupção passiva e fraude à licitação até o arquivamento de investigação ligada à Lava-Jato, o dirigente explicou que a intenção é "soltar todos os militares que estão presos injustamente".

"Nunca teve golpe, golpe é com metralhadora", afirmou.

Plano dos Kids Pretos

Investigação da Polícia Federal localizou em 2024 o plano "Punhal Verde e Amarelo", que previa o assassinato de Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, a partir da conspiração de seis militares identificados como "Kids Pretos". Militares das Forças Especiais chegaram a monitorar Moraes e, em 15 de dezembro de 2022, avaliaram a possibilidade de prendê-lo ou assassiná-lo.

O documento da operação conduzida por Walter Braga Netto, ex-chefe da Casa Civil e ex-candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro, foi produzido dentro do Palácio do Planalto, antes de um encontro entre o ex-presidente e o general Mario Fernandes, então secretário executivo da Presidência e apontado como braço direito de Braga Netto.

Bolsonaro teria dado o sinal verde à operação, que não foi adiante por oposição da Alta Cúpula do Exército e de seu então comandante, o general Freire Gomes.

Até o momento, 1.402 pessoas foram condenadas por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe, incluindo Jair Bolsonaro e generais como Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira. O ex-presidente está preso desde agosto do ano passado e foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.

Quando perguntado sobre a possibilidade de nova tentativa de golpe em um eventual governo Flávio Bolsonaro, Valdemar respondeu "sei lá, sei lá", em tom irritadiço, antes de completar o pensamento, avaliando fatores de dissuasão. 

"Isso deu certo? Olha o que o Bolsonaro tá pagando. Você acha que alguém quer fazer isso?"

O dirigente garantiu que o resultado das urnas será respeitado e disse que "sempre respeitou" o sistema eleitoral.