Notícias

Renascido das cinzas: astrônomos britânicos descobrem 'planeta fênix'

Descoberta sugere a existência de um mundo de segunda geração, nascido dos restos de uma estrela.
Renascido das cinzas: astrônomos britânicos descobrem 'planeta fênix'Imagem gerada por IA

Astrônomos da Universidade de Warwick, no Reino Unido, identificaram o que pode ser um planeta de segunda geração — um mundo que teria se formado a partir do material expelido por uma estrela ao morrer. A descoberta foi publicada na segunda-feira (5) na revista Nature Astronomy.

Segundo o artigo, o objeto, chamado de "planeta fênix", orbita uma anã branca, o núcleo colapsado que sobra quando uma estrela esgota seu combustível nuclear.

A descoberta ainda não está confirmada, mas os pesquisadores acreditam que a composição química da anã branca oferece uma pista importante.

Na atmosfera dela foram detectadas concentrações incomuns de elementos pesados como zinco, cobre e nióbio — um metal presente em pequenas quantidades na Terra e que pode se formar nas etapas finais da vida de uma estrela.

Renascido das cinzas

O nióbio na atmosfera da anã branca está em níveis mil vezes acima dos registrados no Sol.

Os autores acreditam que essa composição seria pouco provável num sistema com um planeta de primeira geração. Para Jamie Williams, astrônomo da Universidade de Warwick, tudo indica que a anã branca esteja absorvendo material de um planeta em órbita para ter uma atmosfera assim.

"Esse planeta parece ter renascido das cinzas da sua estrela", acrescentou o especialista.

Após expulsar parte de sua matéria, o astro teria deixado um novo material que acabou se condensando para formar o planeta. Para que esse material permanecesse em órbita e formasse um disco, os pesquisadores acreditam que seria necessária uma estrela companheira que o mantivesse ao redor da anã branca.  

Que hipóteses existem para esse planeta?

Os dados do satélite TESS da NASA trouxeram outro sinal que respalda essa hipótese. Os cientistas detectaram uma variação fraca e periódica do brilho, com forma de onda senoidal, a cada 4,4 dias.

Esse período orbital, junto com a variação do tipo senoidal, coaduna-se com a presença de um planeta gigante do tamanho de Júpiter numa órbita muito próxima da anã branca, que exibiria sempre a mesma face voltada para a estrela. Contudo, não é a única teoria em análise.

Devido à sua proximidade, a intensa radiação da anã branca estaria fazendo com que a atmosfera exterior do planeta se evapore. Parte desse material escaparia e acabaria caindo na superfície da estrela — o que poderia explicar os elementos pesados detectados em sua atmosfera.

Boris Gänsicke, outro astrônomo da universidade, acha que esse "planeta fênix" não é um sobrevivente do sistema original, mas sim um mundo formado com os materiais que a estrela expulsou quando morreu.

"A pergunta agora é se existem mais planetas assim. Podemos até imaginar se o nosso Sistema Solar poderia algum dia ter um planeta formado das cinzas do Sol", disse Gänsicke.