Dois 'gigantes' da UE planejam criar 'instrumento poderoso' para lidar com a China

As duas maiores economias do bloco acreditam que os instrumentos comerciais existentes são insuficientes.

Alemanha e França pediram na segunda-feira (5) à Comissão Europeia que adote medidas mais rigorosas contra práticas comerciais desleais por parte de outros países.

Embora a carta e o documento informal enviados à presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, pelo chanceler alemão Friedrich Merz e pelo presidente francês Emmanuel Macron, não mencionem nenhum país específico, as práticas, que descrevem como dumping, de subsídios generalizados e restrições à conversibilidade da moeda, coincide com algumas das questões que a União Europeia tem levantado em suas relações comerciais com a China.

Na carta, argumenta-se que o bloco "enfrenta desafios sem precedentes: o sistema de comércio aberto e baseado em regras está sendo severamente afetado pela instrumentalização do comércio, por práticas sistêmicas de distorção do mercado e por desequilíbrios macroeconômicos globais".

"Isso prejudica a igualdade de condições para nossas empresas, nossa posição como principais produtores industriais soberanos e nossa capacidade de inovar, o que acarreta em uma maior dependência e riscos geoeconômicos", afirmam.

Para lidar com essa situação, as duas maiores economias do bloco acreditam que os instrumentos comerciais existentes são insuficientes. Por isso, é proposto um novo mecanismo para reduzir as dependências estratégicas e outro que permita à UE restringir o acesso ao mercado único quando países terceiros tentam minar as condições de concorrência e causar distorções graves.

"Precisamos de um instrumento crível nas mãos da Comissão que permita uma resposta decisiva e sistêmica", afirma a carta, sugerindo "medidas enérgicas, incluindo a exclusão imediata do mercado interno, se necessário".