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Estatal indiana prepara investimento de US$ 2,8 bilhões no petróleo brasileiro

A BPCL quer financiar projeto offshore operado pela Petrobras em Sergipe-Alagoas e refinanciar dívidas que vencem em 2027.
Estatal indiana prepara investimento de US$ 2,8 bilhões no petróleo brasileiroGettyimages.ru / Costfoto/NurPhoto

A Bharat Petroleum Corp. (BPCL), segunda maior refinadora estatal da Índia, prepara uma emissão internacional de títulos de dívida para captar até US$ 3 bilhões. Os recursos serão usados principalmente para financiar um grande projeto de petróleo no Brasil e para refinanciar dívidas que vencem no próximo ano, segundo fontes familiarizadas com o assunto afirmaram, nesta segunda-feira (5) para a imprensa local.

A maior parte do dinheiro deve bancar os US$ 2,8 bilhões da BPCL ao desenvolvimento de campos do projeto SEAP-I, em águas brasileiras localizadas entre Sergipe e Alagoas. A captação será dividida em várias séries (tranches). No mês passado, a empresa fez roadshows com investidores em Londres, Dubai e Singapura para medir a demanda. 

O investimento no Brasil reflete a aceleração da busca da Índia por suprimento de energia no exterior, num momento em que guerras, como bloqueios no Estreito de Ormuz no Oriente Médio, afetam as fontes tradicionais. Agora, estatais como a se preparam para ampliar investimentos fora do país. A Índia importa quase 90% do petróleo e cerca de metade do gás natural que consome.

Segundo dados apresentados pela imprensa local, as importações indianas de petróleo brasileiro mais que dobraram neste ano em relação a 2025. Com isso, o Brasil se tornou o quinto maior fornecedor de petróleo da Índia.

O projeto

A Petrobras é a operadora e detém a maior fatia da área chamada BM-SEAL-11, que inclui o SEAP-I. A Bharat PetroResources Ltd., subsidiária da BPCL, tem 40%.

Quando estiver em plena operação, o SEAP-I terá capacidade para produzir 120 mil barris de petróleo por dia e processar 10 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. A Petrobras prevê o início da produção de óleo em 2030 e as exportações de gás um ano depois.

A estatal brasileira aprovou a decisão final de investimento neste ano, após atrasos na contratação de uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO). As descobertas na área foram declaradas comercialmente viáveis em 2021 e o plano de desenvolvimento foi apresentado à Agência Nacional do Petróleo (ANP) no ano seguinte.