EUA estão 'comprando eleições na América Latina inteira' para torná-la submissa, alerta Renan

"O destino nosso de negociar ou ceder será determinado por essa eleição", advertiu.

Os Estados Unidos estão "comprando eleições na América Latina inteira" para alinhar os países da região aos seus interesses, denunciou o candidato do Missão, Renan Santos, neste sábado (3), durante ato em São Paulo. Segundo ele, o objetivo de Washington seria tornar a América Latina "submissa", em vez de estabelecer relações de parceria com os governos locais.

Anteriormente, Renan acusou a campanha de Flávio Bolsonaro de receber apoio financeiro da Rockbridge Network, grupo conservador norte-americano cofundado pelo atual vice-presidente dos EUA, J.D. Vance. Segundo o candidato do Missão, a suposta atuação do grupo estaria ligada também a interesses americanos nas terras raras brasileiras.

"Humilhados e aviltados"

Durante o discurso, Renan também criticou as exigências apresentadas por Washington nas negociações comerciais com o Brasil, em especial a pressão para restringir o acesso de países terceiros às reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras.

O governo dos EUA chegou a pedir que o Brasil limitasse a participação de "atores não orientados pelo mercado" nesse setor, numa medida interpretada por Brasília como uma tentativa de barrar a atuação da China.

Para Renan, Washington busca impor ao Brasil condições sobre a exploração de seus próprios recursos, de forma "arrogante, impositiva, humilhante". "Nem no período em que o Brasil foi colônia nós fomos tão humilhados e aviltados", afirmou.

Na avaliação do político, o país vive atualmente um período de "neocolonização", e o resultado das eleições presidenciais, cujo primeiro turno será realizado neste domingo (4), definirá se o Brasil escolherá "negociar ou ceder" diante dos interesses estrangeiros.

Fundar a direita foi "desastre"

Ao relembrar a fundação do MBL, Renan afirmou que não imaginava que a direita brasileira se tornaria "o desastre que foi". Segundo o candidato, a ideologia não representa, no país, a defesa da soberania nacional, dos valores e da identidade do Brasil, mas sim a defesa de interesses estrangeiros.

"Direita no Brasil se tornou defender ladrão", declarou. "Ser de direita no Brasil significa: 'vou entregar para os Estados Unidos tudo aquilo que é nosso a preço de banana e idolatrar ladrão'".

Renan também criticou o que classificou como a aproximação entre direita e esquerda no cenário político nacional. Para ele, os dois campos "não têm projetos" e compartilham os mesmos "vícios", incluindo escândalos de corrupção.