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Brasil abriga maior recurso sul-americano de mineral crítico estratégico, diz empresa estrangeira

Projeto em Minas Gerais reúne 24,2 milhões de toneladas de recurso de grafite, usado em baterias, armazenamento de energia e aplicações nucleares; estimativa cobre apenas uma das três áreas do empreendimento.
Brasil abriga maior recurso sul-americano de mineral crítico estratégico, diz empresa estrangeira

A mineradora Atlas Critical Minerals, constituída nas Ilhas Marshall e sediada no Brasil, anunciou nesta terça-feira (29) uma estimativa de 24,2 milhões de toneladas de grafite no projeto de Malacacheta, em Minas Gerais. Segundo a empresa, trata-se do maior recurso desse mineral já reportado na América do Sul dentro de padrões internacionais reconhecidos. A informação foi publicada pela imprensa especializada.

Do total estimado, 17,2 milhões de toneladas foram classificadas como recurso indicado, com concentração média de 5,73% de grafite, enquanto outras 7 milhões de toneladas foram classificadas como recurso inferido, com 5,40%. Juntas, as duas categorias representam cerca de 1,36 milhão de toneladas de grafite contido nas rochas.

A estimativa foi preparada de forma independente pela SGS Canada e incluída em um relatório apresentado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). O cálculo considera apenas uma das três áreas que formam o projeto de Malacacheta.

A concentração de grafite encontrada na parcela classificada como indicada também é cerca de 25% superior à registrada no Graphite Creek, no Alasca, descrito pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos como o maior depósito conhecido de grafite em flocos do país. A comparação é entre 5,73% no projeto brasileiro e 4,6% no depósito norte-americano.

O projeto ainda tem espaço para crescer. Os estudos realizados até agora cobriram aproximadamente 2,5 quilômetros de uma faixa de cerca de 11 quilômetros onde há sinais de grafite, deixando outros 8,5 quilômetros ainda sem perfuração ao longo dessa área.

"Perfuramos apenas cerca de 2,5 quilômetros de um corredor de 11 quilômetros, em apenas um dos nossos três direitos minerais", afirmou Marc Fogassa, presidente e CEO da Atlas Critical Minerals. Segundo ele, as amostras já analisadas também apresentaram características adequadas para usos de maior valor.

Ao todo, foram feitos 21 furos de pesquisa, e todos encontraram trechos significativos com grafite. A SGS também considera que as características do depósito permitem avaliar sua exploração por mineração a céu aberto, método em que a extração ocorre a partir da superfície.

O grafite é usado principalmente em baterias de íons de lítio, presentes em veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. Amostras do projeto de Malacacheta também foram testadas e consideradas adequadas para uso em baterias de veículos elétricos e em reatores nucleares.

A Atlas pretende agora ampliar as perfurações, realizar novos testes do minério e avançar nos estudos técnicos do projeto. A empresa prevê concluir uma avaliação econômica preliminar, que analisará a viabilidade do empreendimento, no segundo trimestre de 2027.

Potencial mineral

A dimensão ainda pouco conhecida dos recursos minerais brasileiros já foi destacada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em maio, ao defender a ampliação do mapeamento geológico do país, Lula afirmou: "Nós só temos conhecimento de 30% do nosso território. Agora nós temos a obrigação de termos conhecimento de 100% do território".

Na ocasião, o presidente classificou os minerais críticos como uma questão de "soberania nacional" e defendeu parcerias com empresas estrangeiras para desenvolver o setor. Segundo Lula, a estratégia brasileira deve abranger não apenas a mineração, mas também etapas como separação e processamento desses recursos no país.