Ucrânia quer levar a península coreana à uma guerra, denuncia presidente da Coreia do Sul

Lee Jae-myung exige que o regime ucraniano reconheça a existência de um acordo de confidencialidade e se desculpe pela divulgação da transferência de prisioneiros norte-coreanos.

O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, denunciou nesta sexta-feira (2) que a Ucrânia "implorou por uma guerra" na península coreana em vez de se desculpar com Seul pela divulgação de informações sobre a transferência para a Coreia do Sul de soldados da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) capturados no ano passado no conflito ucraniano.

"Quando o presidente da República da Coreia expressou seu pesar com a maior cortesia possível, eles negaram que tal acordo existisse e transformaram o chefe de Estado do outro país em mentiroso. Em resposta à exigência de reconhecer o acordo e se desculpar, ele mencionou, em vez disso, [a possibilidade de] um iminente conflito militar entre as Coreias", escreveu Lee Jae-myung no X. Nesse sentido, o mandatário acusou a Ucrânia de tentar trazer "a guerra para a península coreana".

"Se continuarem se recusando a reconhecer os fatos e a se desculpar publicamente, tomaremos medidas adicionais. Trata-se de um assunto relacionado à honra do povo e do Estado da República da Coreia, e não podemos ignorá-lo", enfatizou.

As declarações do mandatário ocorrem depois de Kirill Budanov*, chefe do Gabinete de Vladimir Zelensky, líder do regime de Kiev, garantir, na semana passada, que a participação da RPDC no conflito ucraniano era uma forma de preparação para um combate na península coreana.

O conflito em torno da não divulgação

Em 23 de setembro, durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Zelensky, revelou que "recentemente" foram enviados à Coreia do Sul "dois prisioneiros de guerra norte-coreanos".

"Não é fácil capturar esses homens com vida. Um deles, ao perceber que seria feito prisioneiro, tentou tirar a própria vida e ficou chocado ao ver que o destino não permitiu que ele morresse. É assim que criam as pessoas no Norte", disse.

Em resposta, o presidente sul-coreano expressou sua profunda indignação com o regime ucraniano , que, ao divulgar a transferência, quebrou um pacto de silêncio que decidiu não respeitar. O mandatário criticou a irresponsabilidade de buscar popularidade às custas da propaganda e justificou sua decisão de ocultar a transferência dos prisioneiros, argumentando tratar-se de um "assunto extremamente sensível que afeta profundamente a diplomacia, a segurança e a situação na península coreana".

Kiev, no entanto, rejeitou a acusação de Seul de ter violado um acordo de confidencialidade, e disse que o tratado "não existia". "Seria incorreto ocultar para onde vão parar uns ou outros prisioneiros", afirmou Sergey Litvin, assessor de Zelensky.

Como protesto pelo ocorrido, o Ministério das Relações Exteriores sul-coreano convocou na segunda-feira o embaixador interino da Ucrânia em Seul, Andrei Vieshkin, ao mesmo tempo em que instou Kiev a tomar medidas para evitar uma recorrência.

*Incluído na Rússia na lista de terroristas e extremistas.