
Corações transplantados 'trocam de idade' e se ajustam à do receptor - aponta estudo

Um estudo ainda não revisado por pares, publicado no repositório bioRxiv e divulgado pela revista Nature, mostrou que o coração transplantado tende a adaptar sua idade biológica à do corpo que o recebe: corações jovens implantados em animais mais velhos envelhecem mais rápido, enquanto corações mais velhos "rejuvenescem" quando transplantados em receptores jovens.

A descoberta é do biólogo Jesse Poganik, que estuda envelhecimento na Universidade Harvard, e colegas.
O número de transplantes cardíacos tem crescido no mundo, assim como a idade dos pacientes que recebem os órgãos. Nos Estados Unidos, foram feitos 4.636 transplantes no ano passado, 81,5% a mais do que em 2013. Ainda assim, centenas de pessoas morrem todos os anos à espera de um coração.
Para investigar o fenômeno, os pesquisadores transplantaram corações adicionais de camundongos jovens (3 meses), de meia-idade (1 ano) e idosos (1,5 a 1,67 ano) em animais das três faixas etárias. Os receptores permaneceram com o coração transplantado e o original.
Quatro a seis meses depois, os cientistas analisaram marcas químicas associadas ao envelhecimento celular em cerca de 320 mil regiões do genoma do tecido cardíaco. Ao comparar os enxertos com os corações originais dos mesmos animais, observaram que a idade biológica dos órgãos transplantados havia se ajustado à do receptor.
O grupo também analisou biópsias de 11 corações transplantados em humanos no Brigham and Women’s Hospital, em Boston, nos casos em que havia grande diferença de idade entre doador e receptor.
Nos transplantes de corações mais velhos para pessoas mais jovens, a diferença variava de 8 a 24 anos; no sentido inverso, de 38 a 50 anos.
