Embaixador de Cuba discursa na ONU em meio ao bloqueio sem precedentes dos EUA

Chanceler cubano denuncia bloqueio energético dos EUA acusa Washington de provocar crise humanitária.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, discursa neste sábado (26) perante a Assembleia Geral da ONU em um contexto marcado pela pressão dos EUA contra a ilha e pelos desafios daí decorrentes.

 

O ministro cubano classificou como "absurda e irrealizável" a pretensão dos Estados Unidos de impor a paz pela força e alertou para o avanço do expansionismo, dos atos de usurpação e conquista e da agressão militar e econômica.

Segundo ele, pilares fundamentais do direito internacional e da ONU, como a igualdade soberana entre os Estados, estão sob ataque permanente. 

O chanceler denunciou ainda que o "crime genocida do sionismo" contra o povo palestino, os ataques piratas a embarcações, as execuções extrajudiciais no Caribe e no Pacífico, a agressão militar contra a Venezuela e a guerra contra o Irã são novas manifestações dessa atrocidade.

Para o ministro, esses episódios também refletem a crise de identidade e relevância imposta à ONU.  

"Hostilidade permanente, abusiva e despiadada"

Segundo o chanceler cubano, Cuba sofre há quase 70 anos uma agressão multidimensional dos EUA, marcada por uma hostilidade "permanente, abusiva e despiadada".

Desde janeiro de 2026, a pressão se agravou com um bloqueio energético que impede qualquer país de exportar combustível para a ilha — medida que, pelo direito internacional, equivale a um ato de guerra.

Rodríguez acrescentou que, além do bloqueio energético, os EUA intimidam empresários de vários países para que abandonem seus investimentos em Cuba, criam obstáculos a embarques comerciais legítimos, pressionam para reduzir o fluxo de turistas e tentam limitar o acesso da ilha a financiamentos, tecnologia e mercados.

O chanceler destacou ainda que o impacto desse cerco "tem rosto humano": segundo ele, a guerra econômica atinge toda a população cubana e provoca dor individual e coletiva.

"Não é um dano colateral, é uma política deliberadamente concebida para ferir no mais sensível as famílias cubanas", detalhou. 

"O verdugo culpa a vítima"

O chanceler cubano classificou o bloqueio como um ato de castigo coletivo, proscrito pelo direito internacional humanitário. 

 Segundo ele, o objetivo evidente e imediato é induzir em Cuba uma crise humanitária — o que também constitui um crime.

"O Governo dos Estados Unidos e o Departamento de Estado tiveram que reconhecer o sofrimento infligido, mas têm a desfaçatez e o cinismo de insistir em culpar o Governo de Cuba. O verdugo culpa a vítima", condenou.

Além disso, abordou as políticas de Washington em relação a outros países, que também têm o objetivo de pressionar Cuba.

O chanceler afirmou que mais de 7.000 contêineres foram detidos no âmbito do cerco americano em diversos portos, muitos deles com alimentos, medicamentos e dispositivos médicos. 

Cerco dos EUA contra Cuba