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Trump admite exercer 'a maior pressão' de todos os tempos sobre Cuba

Enquanto Trump discursava, a delegação cubana se levantou e deixou a Assembleia Geral da ONU.
Trump admite exercer 'a maior pressão' de todos os tempos sobre CubaGettyimages.ru / Gettyimages.ru

O presidente dos EUA, Donald Trump, insistiu nesta terça-feira (22) que sua administração busca "uma mudança fundamental" em Cuba, reconhecendo que exerce pressão para isso, "a maior que [Cuba] já enfrentou".

No seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, ele voltou a chamar o país "Estado absolutamente falido".

"Está falido como nunca antes e vai cair", acrescentou Trump.

Além disso, sem qualquer prova, Trump acusou o governo cubano de ter "cultivado vínculos com grupos subversivos e radicais" nos EUA, como o Partido Comunista do país norte-americano, o Antifa e os socialistas democratas. Assegurou também que a ilha representa uma ameaça.

"Não permitiremos que um refúgio para adversários estrangeiros ameace os EUA à nossa própria porta. Está bem à nossa porta", afirmou o chefe da Casa Branca.

Além disso, Trump destacou que o secretário de Estado, Marco Rubio, está em negociação com o governo cubano.

"Castigo coletivo a 10 milhões de pessoas"

O momento mais marcante, no entanto, ocorreu durante o discurso de Trump:a delegação cubana se levantou e deixou o plenário da Assembleia Geral.

Antes do discurso do líder norte-americano, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, denunciou em seu discurso o "horror" do bloqueio econômico, energético e comercial que os EUA intensificaram contra Cuba no governo Trump.

"Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um bloqueio energético ilegais", declarou Lula.

O chanceler cubano Bruno Rodríguez agradeceu nas redes a solidariedade do Brasil e a denúncia de Lula sobre o "castigo coletivo" ao povo cubano.

Da mesma forma, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, classificou de "absurda" a acusação de que a ilha seja uma "ameaça" para os EUA.

Cerco dos EUA contra Cuba

  • Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo a Casa Branca, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar a "numerosos países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir o emprego, na ilha, de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
  • Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que agirem em desacordo com a ordem executiva da Casa Branca.
  • A medida ocorre em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que tem rejeitado sistematicamente essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma quadrilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
  • Os EUA mantêm um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi reforçado com numerosas medidas coercitivas e unilaterais.