O Exército dos Estados Unidos está se preparando para uma possível ação militar contra Cuba, informou a CBS News nesta sexta-feira (25), três dias depois de Havana denunciar o discurso "arrogante, prepotente e intervencionista" de Washington.
Uma mensagem interna do Exército analisada pelo veículo revelou que as Forças Armadas estão avaliando quantas unidades poderiam disponibilizar ao Comando Sul em um prazo de 90 a 120 dias, em meio aos relatos de escassez de armamentos devido ao conflito com o Irã.
Embora a mensagem não faça referência a Cuba, vários funcionários anônimos afirmaram que se trata de preparativos militares relacionados à ilha. No entanto, o documento não indica que alguma unidade militar tenha recebido ordens de mobilização.
No programa "CBS Mornings", o repórter Charlie D'Agata foi questionado se, estando envolvidos em uma guerra com o Irã, os EUA também poderiam invadir Cuba. Ele respondeu: "Sim, potencialmente".
A informação surge depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, classificar Havana na terça-feira (22) como "um Estado falido" que "vai cair", durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas. O presidente norte-americano afirmou que seu governo busca "uma mudança fundamental" em Cuba e reconheceu que exerce pressão para isso, "a maior à qual já foi submetida".
O discurso foi rebatido pelo presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, em suas redes sociais. "A mentira é o recurso daqueles que se recusam a aceitar o direito à livre determinação do povo cubano", escreveu.
Cerco dos EUA contra Cuba
- Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo a Casa Branca, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar a "numerosos países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir o emprego, na ilha, de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
- Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que agirem em desacordo com a ordem executiva da Casa Branca.
- A medida ocorre em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que tem rejeitado sistematicamente essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma quadrilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
- Em 7 de março, Trump anunciou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba".
- Os EUA mantêm um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi reforçado com numerosas medidas coercitivas e unilaterais.