Tensão à esquerda: aliado de Lula é vaiado em ato de campanha e presidente cobra pragmatismo

Evento com artistas marcou defesa de Pedro Paulo (PSD) para o Senado, enquanto vereadora Monica Benicio (PSOL) disputa mesma vaga com 6% das intenções de voto, empatada tecnicamente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (23), no Rio de Janeiro, o apoio ao deputado Pedro Paulo (PSD) para o Senado durante ato de campanha pela própria reeleição, mesmo diante de vaias do público ao prefeito da cidade ao mencionar o aliado.

O evento reuniu artistas e foi marcado pela tensão entre a aliança governista e setores da esquerda. O conflito ficou evidente ao final da intervenção de Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio de Janeiro, quando defendeu o "combate ao extremismo" pela vitória eleitoral da candidatura de Lula e das demais apoiadas pelo petista.

Dentre tais candidaturas, o nome de Pedro Paulo provocou desconforto entre os presentes. Deputado federal no quarto mandato pelo Rio, sua figura é controversa nos setores governistas desde que acusações de agressão doméstica de sua ex-esposa Alexandra Marcondes vieram à tona em meio à sua campanha à prefeitura em 2016, além de sua votação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff no mesmo ano.

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Infame pelo epíteto "Pedro Paulo agressor de mulher" dentre setores militantes progressistas e de esquerda no estado, sua candidatura ao Senado, junto ao nome da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), é apoiada oficialmente em uma campanha de Lula com especial enfoque na pauta da violência de gênero.

Diante do apelo de Cavaliere pela eleição de Pedro Paulo, vaias ressoaram na plateia, que começou a entoar o nome da vereadora Monica Benicio (PSOL) — viúva de Marielle Franco, vítima de um assassinato político em 2018. Monica é também candidata ao Senado do campo aliado a Lula e estava presente no encontro.

"Não temos mais idade para brincar"

Em seu discurso, Lula alertou sobre a necessidade de maioria no Senado para viabilizar um eventual quarto mandato no Planalto.

"Um senador atrapalha muito um presidente. Não temos mais idade para brincar. Se não fizermos maioria no Senado, a gente corre o risco desse país entrar numa crise sem precedentes", afirmou, criticando partidos de esquerda que lançam candidaturas sem perspectiva real de vitória.

Monica aparece com 6% na mesma pesquisa, tecnicamente empatada com Pedro Paulo e Marcelo Crivella (Republicanos) na disputa pela segunda vaga.

A vereadora integra o movimento Senadoras do Brasil e defende que o Rio tem "oportunidade histórica de eleger duas mulheres trabalhadoras". Em entrevista à Carta Capital, ela afirmou que o PSOL apoia Lula e Benedita, destacando o mote "quem vota em Bené, vota em Benício", apesar da ausência de apoio oficial do petista à sua candidatura.

Benedita da Silva, que lidera a corrida com 15% das intenções de voto segundo pesquisa Datafolha, defendeu os acordos políticos.

"Não existe aliança com os iguais. Aliança se faz com os diferentes. Nós precisamos garantir ao presidente Lula e assinar embaixo dos acordos", declarou.