
Presidente da CNBB critica 'politicagem' no Judiciário e diz que Igreja não pode se calar

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, criticou nesta quarta-feira (23) o que classificou como "politicagem" nas Cortes Superiores e manifestou preocupação com a atuação do Judiciário, informou o Poder360.
As declarações foram dadas durante uma reunião com jornalistas na sede da CNBB, em Brasília. Segundo Spengler, o Brasil atravessa um momento "delicado, tenso e desafiador", que envolve os Três Poderes da República.
"E, nesses últimos dias, o que vem aparecendo, sobretudo no âmbito do Judiciário, é certamente preocupante", afirmou Spengler.

"Imagino que o Poder Judiciário deveria ser uma espécie de fiel da balança, realmente decidir aquilo que a Constituição apresenta como norma suprema", acrescentou.
O cardeal também estendeu suas considerações ao Legislativo e ao Executivo. Sobre o Congresso, ele declarou que considera o Poder Legislativo o espaço destinado à representação da sociedade e à construção de soluções para o desenvolvimento do país.
Spengler disse ainda que o debate político atual está "muito acirrado" em torno do Executivo.
Papel da Igreja
Ao abordar a atuação da Igreja Católica diante do cenário político e institucional, Spengler disse que a CNBB também tem responsabilidade sobre as questões enfrentadas pelo país.
"Não podemos ficar calados", ressaltou. "Todos temos responsabilidade e não podemos nos calar diante do que está diante dos nossos olhos", continuou o religioso.
Segundo o cardeal, a Igreja exerceu ao longo da história recente brasileira o que classificou como uma "voz profética", baseada na observação da realidade, no Evangelho e na Doutrina Social da Igreja.
"A igreja tem, sim, uma palavra a dizer, não para defender interesses particulares, não, nunca, jamais, mas em vista do bem comum e do futuro", declarou.
CNBB e STF
Durante o encontro, Spengler também mencionou uma manifestação divulgada pela presidência da CNBB em 10 de setembro sobre o Supremo Tribunal Federal (STF).
Na mensagem "Pela verdade, pela Justiça e pela preservação das instituições democráticas", a entidade manifestou preocupação com acontecimentos envolvendo o STF e defendeu a apuração dos fatos.
No documento, a CNBB afirmou que a gravidade do momento e as "legítimas interrogações" existentes na sociedade exigem "serenidade, responsabilidade e respostas institucionais claras".
A entidade também sustentou que todos estão submetidos à lei e destacou a necessidade de independência e equilíbrio entre os Poderes.
Eleições
Spengler também relacionou suas considerações ao processo eleitoral e questionou quais projetos de país estão sendo apresentados aos brasileiros.
"Atualmente, nós, enquanto povo brasileiro, o que queremos para o Brasil? O que sonhamos, desejamos para o nosso Brasil em vista de um futuro melhor, mais justo, mais digno?", questionou.
Para o cardeal, a participação da Igreja no debate nacional não contradiz sua missão religiosa. Para ele, bispos e integrantes da vida consagrada também são cidadãos e participam da vida cotidiana do Brasil.
Spengler preside a CNBB desde 2023, com mandato até 2027. Ele também é arcebispo de Porto Alegre e tornou-se cardeal em dezembro de 2024.



