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Macron chama situação em Gaza de ‘espetáculo vergonhoso’ e cobra ação internacional

Presidente francês defendeu solução de dois Estados e pediu liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
Macron chama situação em Gaza de ‘espetáculo vergonhoso’ e cobra ação internacionalGettyimages.ru / Ryan Murphy

O presidente da França, Emmanuel Macron, denunciou nesta terça-feira (22) perante a Assembleia Geral das Nações Unidas o que classificou como um "espetáculo vergonhoso" na Faixa de Gaza e questionou a credibilidade da comunidade internacional diante da falta de ação.

"Qual é a nossa credibilidade se continuarmos inativos diante do que acontece em Gaza? Alguns se vangloriam de que a paz foi alcançada, mas isso não permitiu que a ajuda humanitária chegasse nem por um segundo. Vamos ficar de braços cruzados e observar este espetáculo que deveria envergonhar a todos nós?", questionou Macron, que citou também citou as contínuas violações na Cisjordânia.

Macron afirmou que aqueles que defendem que a segurança de Israel depende de violar "a soberania de todos os seus Estados vizinhos" estão "cometendo um erro muito grave" e enfraquecem essa segurança. Nesse contexto, defendeu a solução de dois Estados como condição para "a segurança de hoje e de amanhã para Israel e seu povo".

"O que precisamos é respeito pelos direitos legítimos do povo palestino, seu direito legítimo de existir. Este é um requisito prévio para a segurança, hoje e amanhã, do povo de Israel; sua segurança, sua própria existência, com a qual estamos muito comprometidos", acrescentou.

Estreito de Ormuz

Em seu discurso em Nova York, Macron também defendeu a necessidade de restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, afetada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

"Também contamos com uma coalizão multinacional independente cujo objetivo é restabelecer a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Isso não deve ser utilizado como meio de chantagem. É um princípio fundamental do direito internacional e é do interesse de todos nós que os navios possam transitar pelo estreito de maneira segura, assim como que sejam garantidos os interesses energéticos de todos os nossos países", afirmou.

Macron também defendeu a soberania do Líbano e afirmou que "os povos estão sendo destruídos um após o outro". "Somente um Líbano plenamente soberano poderá desarmar o Hezbollah e restabelecer a segurança para todos os libaneses e seus vizinhos. Soberania para o Líbano e seu povo", declarou.

Em termos mais amplos, o presidente francês advertiu contra o "retorno da lei da selva" no mundo e pediu que não se ceda ao "espírito de derrota […] que deixaria alguns poucos em uma posição de abuso de poder". Macron também defendeu devolver às Nações Unidas sua "vitalidade" para conter uma "lenta divisão do mundo".