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Mauro Vieira leva posição do Brasil a encontro sobre Palestina em Paris

Ministro participou de reunião convocada pela França antes da cúpula do G7 e destacou a crise em Gaza e a violência contra palestinos na Cisjordânia.
Mauro Vieira leva posição do Brasil a encontro sobre Palestina em ParisReprodução/Divulgação Redes Sociais

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou nesta sexta-feira (12), em Paris, de uma reunião ministerial sobre a criação de um Estado da Palestina ao lado de Israel. O encontro ocorreu a convite do governo da França e reuniu representantes das sociedades civis israelense e palestina.

Durante sua intervenção, Vieira afirmou que a falta de vontade política de parte da comunidade internacional constitui um obstáculo à execução da solução de dois Estados e do plano de paz para Gaza. O chanceler apresentou a posição do Brasil nas discussões sobre o cessar-fogo, a situação da população palestina e o reconhecimento do Estado palestino.

Segundo o Itamaraty, Vieira defendeu ainda a reversão do contexto de violência contra palestinos na Cisjordânia.

Recomendações serão encaminhadas ao G7

O encontro ocorreu um ano depois da primeira reunião em Paris entre representantes das sociedades de Israel e da Palestina. Na ocasião, os participantes assinaram o "Apelo de Paris pela Solução de Dois Estados", documento que defende uma negociação baseada na coexistência de Israel e Palestina, com paz e segurança.

Segundo o governo francês, o cessar-fogo permanece sob risco em Gaza. Na Cisjordânia, o avanço dos assentamentos afeta a possibilidade de criação de um Estado da Palestina com viabilidade e soberania, enquanto outros conflitos na região reduziram o espaço da questão palestino-israelense na agenda internacional.

As recomendações aprovadas em Paris serão encaminhadas aos dirigentes do G7, que se reunirão dias depois em Évian. A proposta dos organizadores é levar às discussões entre governos as demandas apresentadas por cidadãos, ativistas e organizações que atuam em Israel e na Palestina.

A agenda de 2026 estabelece cinco prioridades:

  • aplicação do plano de paz para Gaza e do cessar-fogo;
  • resposta aos assentamentos e à anexação;
  • criação de um marco de segurança para a região;
  • participação da sociedade civil em reformas políticas; e
  • atendimento da emergência humanitária com o início da reconstrução de Gaza.

França retoma iniciativa lançada em 2025

O processo apresentado pela França tem como referência a Declaração de Nova York, adotada em setembro de 2025. Mais de 140 Estados reafirmaram no documento o apoio à solução de dois Estados como caminho para encerrar o conflito entre israelenses e palestinos.

A declaração incluiu:

  • a criação de um Estado da Palestina;
  • o desarmamento do Hamas; e
  • a exclusão do Hamas do governo de Gaza.

O texto também tratou da integração de Israel na região, de garantias de segurança e do apoio internacional à reconstrução de Gaza.

Durante a 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2025, dez países do Ocidente reconheceram o Estado da Palestina no âmbito da conferência sobre a solução de dois Estados, copresidida por França e Arábia Saudita.

A reunião desta sexta-feira contou com a participação da Aliança pela Paz no Oriente Médio (Alliance for Middle East Peace), Guerreiras da Paz (Guerrières de la Paix) e Princípios para a Paz (Principles for Peace). As três organizações atuam em iniciativas de diálogo, participação social e formulação de propostas para as negociações entre Israel e Palestina.