
Em meio à guerra no Irã, Guiana vive boom do petróleo, enquanto Exxon amplia seus ganhos no país

Segundo matéria do jornal americano The New York Times neste sábado (19), a Guiana conseguiu se beneficiar significativamente da instabilidade global do setor energético no contexto da guerra no Irã e a crise que assola vários dos maiores produtores de petróleo do planeta, no Oriente Médio.

A república sul-americana, que é o país cujo PIB mais cresce no mundo desde a descoberta de massivas reservas de petróleo, consolidou inesperadamente seu status como um ator-chave na grande reformulação do mercado global de energia.
Especialistas locais explicaram que a produção diária de hidrocarbonetos do país atingiu atualmente para 900 mil barris e pode chegar a 1,7 milhão de barris por dia até 2030. O que era até então um país pobre acostumou-se a ver carros de luxo e restaurantes caros na sua capital.
Rico no papel, pobre nas ruas
O boom econômico, porém, ainda não chegou a todos. O que é, no papel, o país com a maior renda per capita da América do Sul tem esgoto a céu aberto nas ruas, frequentes assaltos à mão armada e a população amontoada em favelas. Por mais absurdo que pareça, o país que conta com reservas de petróleo estimadas menores apenas que as do Kuwait sofre com altas contas de eletricidade e até mesmo falta de gasolina.
O jornal aponta ainda que o maior beneficiário talvez não seja a Guiana, mas a Exxon, gigante americana do setor e principal companhia dentre as que operam no país. Segundo o economista local, Richard Rambarran, “Costuma-se dizer que a Exxon salvou a Guiana. “Também se poderia dizer que a Guiana salvou a Exxon.”
O país já responde por 15% de toda a renda da empresa americana. Enquanto isso, uma parcela de apenas 14,5% da riqueza gerada pelo petróleo fica na Guiana, muito menos do que países maiores e mais desenvolvidos como a Noruega e o Brasil conseguem negociar.
Segundo Alistair Routledge, que lidera as operações da Exxon na Guiana, o contrato é justo. Questionado sobre como fazer com que a riqueza gerada tire a Guiana da pobreza, o executivo disse: "Não é nosso trabalho. Não fomos eleitos".
