
EUA admitem ter arma espacial em órbita

O secretário da Força Aérea dos Estados Unidos, Troy Meink, afirmou nesta segunda-feira (14) que a Força Espacial já possui "armas de controle espacial" em órbita capazes, segundo ele, de defender as forças americanas contra ações hostis. A informação foi publicada pela revista especializada em defesa e assuntos aeroespaciais Air & Space Forces Magazine.
"É por isso que a Força Espacial agora tem armas de controle espacial em órbita capazes de defender a força conjunta contra ações de adversários hostis", declarou Meink durante a abertura da Air, Space and Cyber Conference, promovida pela AFA.

Após o discurso, Meink afirmou que a admissão foi intencional e que a formulação utilizada havia sido "muito bem pensada".
"É extremamente importante que mantenhamos nosso domínio, não apenas no ar, mas no espaço", disse. "Tivemos de tomar medidas para garantir que, quando formos ameaçados, possamos lidar com isso."
O secretário, porém, se recusou a detalhar as capacidades dos sistemas ou dizer se as armas são cinéticas ou não cinéticas. Segundo ele, reconhecer a existência dessas capacidades pode ter efeito de dissuasão, enquanto revelar detalhes poderia comprometer a suposta vantagem.
"Não vamos falar sobre os detalhes do que estamos fazendo, se testamos, não testamos ou qualquer outra coisa", afirmou.
Capacidades espaciais
A declaração ocorre em meio a um movimento para falar de forma mais aberta sobre ameaças em órbita e sobre a capacidade americana de responder a elas.
Meink também destacou dois programas em desenvolvimento: o Space-Based Interceptor e a constelação Space-Based Air-Moving Target Indication. Ambos fazem parte do sistema avançado de defesa antimísseis Golden Dome, do Pentágono.
Segundo o secretário, o programa Space-Based Interceptor avançou de um contrato inicial para a produção de hardware pronto para voo em menos de um ano. A Força Espacial conduz uma competição para avaliar custos e capacidade de expansão do sistema, com possibilidade de implantação de uma capacidade inicial em 2028.
O diretor do Golden Dome, general Michael Guetlein, afirmou em agosto que os participantes do programa concluíram a primeira etapa, voltada à consolidação do projeto e a testes de componentes. As fases seguintes incluem construção de protótipos, demonstrações no espaço e integração dos interceptadores à arquitetura do Golden Dome.
Outro projeto é o Space-Based AMTI, desenvolvido pela Força Espacial em conjunto com o National Reconnaissance Office para ampliar o rastreamento de ameaças aéreas por meio de satélites.
A SpaceX recebeu em maio um contrato de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,6 bilhões) para começar a construir a constelação. Segundo Meink, os primeiros satélites serão lançados neste mês. A Força Espacial não informou quantos satélites farão parte do lançamento inicial nem o tamanho final da constelação.


