Empresa dos EUA assume operação de terras raras no Brasil

Empreendimento em Goiás recebeu apoio financeiro do governo Donald Trump e foi alvo de críticas do presidente Lula.

A americana USA Rare Earth concluiu nesta sexta-feira (4) a fusão com o Grupo Serra Verde, responsável por uma operação de extração e processamento de terras raras em Goiás. Com o negócio, os ativos brasileiros passam a integrar uma estrutura que reúne diferentes etapas da cadeia do setor.

A Serra Verde iniciou a produção em janeiro de 2024. Segundo a USA Rare Earth, a operação é a única produtora em escala fora da Ásia de quatro elementos magnéticos de terras raras.

A mina Pela Ema, em Minaçu (GO), produz neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. A companhia projeta alcançar cerca de 4 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras até o fim de 2026 e, em uma segunda etapa, elevar a média para 6,4 mil toneladas por ano.

Apoio dos EUA

A compra da Serra Verde foi avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões e contou com financiamento do governo dos Estados Unidos. O Departamento de Guerra americano ampliou para US$ 750 milhões sua participação no veículo financeiro destinado à compra da produção inicial da mina goiana.

Em janeiro, a USA Rare Earth também fechou com o Departamento de Comércio dos EUA um pacote de até US$ 1,6 bilhão em financiamento. Em fevereiro, a Serra Verde obteve US$ 565 milhões da DFC, agência de desenvolvimento americana.

"Agradecemos o apoio estratégico e o compromisso de financiamento ampliado do governo dos EUA e temos orgulho de continuar nossa forte parceria para construir uma cadeia de suprimentos de terras raras segura e resiliente", afirmou Michael Blitzer, presidente executivo do Conselho da USA Rare Earth.

Cadeia internacional

Com a fusão, os ativos da Serra Verde se juntam a operações existentes ou planejadas da USA Rare Earth nos Estados Unidos, Reino Unido e França. A empresa busca controlar etapas que vão da extração mineral à produção de metais, ligas e ímãs permanentes.

A companhia afirma que pretende ampliar a oferta de terras raras fora da Ásia. Em documentos sobre os riscos do negócio, também cita possíveis mudanças nas políticas de exportação da China e diz que sua inclusão em uma lista chinesa de controle de exportações já afetou o acesso a determinados insumos.

A presidente-executiva da USA Rare Earth, Barbara Humpton, afirmou em julho que o material extraído em Goiás deve abastecer, entre outros usos, a indústria de defesa americana, com aplicações em radares, sistemas de guiagem de mísseis, drones e componentes de aeronaves e submarinos.

Críticas de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem criticado propostas envolvendo terras raras e acordos com os Estados Unidos. Em entrevista ao ICL, ele afirmou que iniciativas desse tipo representam risco para o país e defendeu que o Brasil preserve o controle sobre recursos minerais estratégicos.

Ao se referir ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), Lula afirmou: "Então se a gente não tomar cuidado (...) essa gente vai vender o Brasil, e nós não podemos permitir". Sobre iniciativas do governo goiano envolvendo empresas americanas, disse: "É uma vergonha, inclusive o que o Caiado fez em Goiás".

Lula não foi o único que questionou a operação no Brasil, com os partidos Rede Sustentabilidade e PSOL apresentando ações no STF relacionadas ao negócio. A Advocacia-Geral da União, por sua vez, se manifestou contra a suspensão do empreendimento.