Alemanha encurralada? Merz aponta saída diante de EUA e China

Guerra tarifária, avanço tecnológico chinês e crise na indústria colocam Berlim diante de um cenário cada vez mais difícil.

Manter a união entre os países europeus e juntar as forças é a única maneira da Alemanha se manter firme contra os EUA e a China. A declaração foi feita pelo chanceler alemão Friedrich Merz, na quinta-feira (3), durante uma visita à biorrefinaria da UPM Biochemicals GmbH.

"Dadas as disparidades globais que estamos presenciando, as disputas tarifárias com os americanos e as consideráveis ​​desigualdades com a República Popular da China, se quisermos nos manter firmes, inclusive no campo tecnológico, só há um caminho: fazê-lo em conjunto com a Europa e com as tecnologias mais modernas", afirmou.

Merz defendeu o mercado único europeu e o espaço Schengen, sublinhou a importância de pertencer à União Europeia e alertou que abandonar estas áreas colocaria em risco os investimentos tecnológicos no país.

Situação orçamentária "desastrosa" na Alemanha

Anteriormente, a ministra do Trabalho alemã, Bärbel Bas, descreveu a situação orçamentária do país como catastrófica e destacou a perda da liderança tecnológica de Berlim. "Estamos lidando com guerras que impactam nossa economia e não detemos mais a liderança tecnológica em muitos setores, já que a China e outros países nos ultrapassaram. É aí que devemos concentrar nossos esforços", acrescentou.

Ao comentar os números do desemprego no país, que já ultrapassaram a marca de três milhões, Bas admitiu que "grandes empresas, especialmente nos setores automotivo, químico e siderúrgico" estão cortando empregos "em um processo que se estende por vários anos".

Indústria automotiva em queda livre

O setor automotivo alemão, uma das principais indústrias do país, foi um dos mais afetados nos últimos anos, atingindo mínimas históricas. Ao final do primeiro semestre de 2026, o setor contava com 42.300 trabalhadores a menos do que no ano anterior, representando uma queda de 5,8%, maior declínio entre os principais setores industriais. Atualmente, a indústria automotiva emprega 691.500 trabalhadores, o menor número desde 2005.

Alguns dos fatores que mais influenciaram a deterioração das perspectivas para os fabricantes foram a concorrência dos fabricantes chineses, o aumento da demanda por veículos elétricos e a rejeição da energia russa por Berlim.

Falta da energia russa barata

Na sequência do boicote aos fluxos energéticos tradicionais da Rússia, os alemães aumentaram sua dependência de alternativas mais caras, incluindo o gás natural liquefeito importado dos Estados Unidos.

« O QUE É O NORD STREAM E QUAL É A SUA IMPORTÂNCIA »

A fabricação de automóveis exige quantidades enormes de energia, especialmente para a produção de aço, alumínio, produtos químicos e baterias. Consequentemente, o aumento dos custos de energia impactou toda a cadeia de suprimentos, elevando o custo final dos veículos e reduzindo as margens de lucro das montadoras.

Essa tendência afeta muitas marcas de automóveis conhecidas, como BMWPorsche e Volkswagen, entre outras.

Devido ao aumento da concorrência e à queda nos lucros, elas são obrigadas a implementar reduções significativas em seu quadro de funcionários.