
Indústria automobilística alemã leva novo golpe: Porsche demitirá até 4 mil funcionários

A Porsche, fabricante de carros esportivos e de luxo, parte do grupo alemão Volkswagen, vai cortar até 4 mil postos de trabalho em suas fábricas, informou o jornal Bild no domingo (6).
Segundo o jornal, os funcionários dos níveis gerencial e administrativo serão os mais afetados.
Na fábrica de Weissach, em Baden-Württemberg, está prevista uma redução de 30% no quadro de funcionários.

Um porta-voz da Porsche se recusou a especificar o número exato de vagas a serem cortadas.
Ao mesmo tempo, mencionou um pacote de medidas com o objetivo de otimizar as operações da empresa. O plano será apresentado antes do final de julho.
O CEO da empresa, Michael Leiters, anunciou a nova onda de demissões em março, que se soma a um conjunto inicial de medidas.
De agora até 2029, 1.900 vagas serão eliminadas na região de Stuttgart. Além disso, os contratos temporários de 2.000 trabalhadores terceirizados expirarão, e o fechamento de três subsidiárias, anunciado pela empresa em maio, afetará outras 500 pessoas.
Reestruturação Profunda
A indústria automobilística alemã enfrenta sua mais profunda reestruturação em décadas, numa tentativa de estancar as perdas causadas pela entrada agressiva de fabricantes chinesas como BYD e Chery, que já detêm mais de 10% do mercado europeu.
A Volkswagen está preparando um plano que inclui uma possível redução de até 100 mil postos de trabalho nos próximos anos e o fechamento de quatro fábricas na Alemanha.
Ao mesmo tempo, a BMW destinará mais de US$ 1,13 bilhão para reestruturação. Analistas acreditam que isso levará a uma redução de até 10 mil postos de trabalho e uma queda de 15% na produção na Europa. Na Mercedes-Benz, 5.500 trabalhadores aceitaram demissões voluntárias como parte do programa de reestruturação em andamento.
Nos últimos anos, a Alemanha passou por uma prolongada crise econômica, desencadeada pela pandemia de Covid-19 e intensificada após a redução do fornecimento de gás russo devido às sanções da União Europeia contra o setor energético da Rússia, o que está causando tendências desfavoráveis no mercado de trabalho.

