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Brasil manifesta 'indignação' e critica ausência de diálogo após duro golpe da UE contra sua economia

Governo Lula prometeu "recorrer aos instrumentos cabíveis" caso negociações para retomar exportações de carnes não avancem.
Brasil manifesta 'indignação' e critica ausência de diálogo após duro golpe da UE contra sua economiaGettyimages.ru / Apolline Guillerot-Malick/SOPA Images/LightRocket

O governo brasileiro criticou a decisão da União Europeia (UE) de implementar, nesta quinta-feira (3), um veto a produtos de proteína animal provenientes do Brasil. Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e Pecuária (MAPA) e das Relações Exteriores (MRE)  expressaram "indignação com a ausência de diálogo prévio à adoção da medida". 

Brasília reservou o direito de "recorrer aos instrumentos cabíveis" contra a decisão de Bruxelas, caso as tratativas atuais não conduzam a solução satisfatória. Entre os mecanismos citados, estão "medidas de reciprocidade", bem como aqueles previstos no acordo Mercosul-UE e no sistema multilateral de comércio.

Para as pastas, o tratamento concedido pelas autoridades europeias durante as negociações "não condiz com a profundidade da parceria estratégica entre Brasil e União Europeia".

No documento, o governo do Brasil enfatiza que "implementou as medidas necessárias ao atendimento dos requisitos aplicáveis e apresentou às autoridades europeias a documentação e as informações pertinentes relativas aos produtos destinados à exportação", mas mesmo assim, Bruxelas optou pelo veto. 

Atualmente, está em andamento uma auditoria solicitada pela UE, iniciada em 24 de agosto, nas cadeias de carnes de aves e mel. Esse processo, o qual outros parceiros comerciais do bloco europeu não foram submetidos, está previsto para ser concluído nesta quinta-feira (4). "Durante a missão, as equipes técnicas brasileiras têm apresentado os procedimentos e controles adotados no País, permitindo às autoridades europeias verificar, em campo, a estrutura e o funcionamento do sistema brasileiro", detalhou.

"O Governo brasileiro reafirma a solidez do sistema oficial de defesa agropecuária brasileiro e o compromisso do País com a segurança, a qualidade e a sustentabilidade dos produtos de origem animal destinados tanto ao mercado interno quanto aos mais de 150 países que recebem produtos agropecuários brasileiros", lê-se na nota.

O Brasil "tem a firme expectativa" que o diálogo técnico permita "alcançar solução célere, objetiva, transparente e fundamentada em critérios científicos", permanecendo imune a "pressões de natureza protecionista". Segundo o governo, a exclusão dos produtos, que foram objeto de reduções tarifárias no acordo Mercosul-UE, "anula uma parte importante dos ganhos obtidos pelo Brasil nas negociações", podendo "modificar o equilíbrio" das concessões previstas no tratado.

Golpe da UE

No dia 6 de junho, a União Europeia proibiu oficialmente a importação de uma série de produtos animais produzidos no Brasil. A decisão, que entrou em vigor a partir desta quinta-feira (3), atinge carnes bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos. O impacto potencial estimado chega a US$ 2 bilhões por ano, segundo a Agência Brasil. 

A medida foi adotada mesmo após Brasília proibir parte dos antimicrobianos comprovadamente utilizados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, um dos principais entraves nas negociações.

A restrição não decorre da identificação de irregularidades em lotes específicos de produtos brasileiros, mas de questionamentos sobre os mecanismos utilizados pelo Brasil para comprovar o cumprimento das exigências europeias.

Apesar das justificativas sanitárias, a restrição também atende aos interesses do setor agropecuário europeu. Contrários ao polêmico acordo entre Mercosul e União Europeia, produtores do bloco promovem constantes protestos e manifestações e temem que o aumento das importações de carne e de outros produtos latino-americanos prejudique sua competitividade e comprometa a viabilidade econômica de suas atividades.

Bruxelas ainda não definiu uma data para a retomada das importações. Os resultados da auditoria precisarão ser analisado pelas autoridades europeias, em um processoq que pode levar cerca de dois meses. Caso sejam aprovados, as exportações de aves e mel do Brasil à UE poderão ser liberadas.