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Milei se pronuncia em rede nacional sobre as Malvinas

Reivindicação argentina pela soberania do arquipélago voltou ao centro da agenda após declaração de Donald Trump sobre abrir uma possível mudança na histórica posição de Washington.
Milei se pronuncia em rede nacional sobre as MalvinasTomas Cuesta / Gettyimages.ru

O presidente argentino, Javier Milei, afirmou nesta quinta-feira (3) que seu governo não permitirá a apropriação indevida do território ou dos recursos naturais que cercam o arquipélago das Malvinas, cuja soberania é disputada por Buenos Aires e pelo Reino Unido, que chamam o local de Ilhas Falkland.

"Essa causa exige uma resposta. Não vamos permitir. A Argentina não ficará de braços cruzados. Vamos mobilizar as ferramentas do Estado, diplomáticas, econômicas, judiciais e legais, para dissuadir atores estatais e não estatais que violem nossa soberania", declarou o presidente em um pronunciamento televisionado.

Milei se referia à intenção de Londres de explorar petróleo em alto-mar nas proximidades das ilhas, apesar dos compromissos assumidos pelos dois países de não explorar recursos naturais na área em disputa enquanto a controvérsia territorial não for resolvida.

Em um desses movimentos, a petroleira israelense que tem negócios com britânicos Navitas Petroleum adquiriu recentemente uma segunda unidade flutuante para desenvolver o campo de Sea Lion, localizado a cerca de 220 quilômetros ao norte do arquipélago. A previsão é que a primeira produção tenha início no primeiro trimestre de 2028.

Questão dos EUA

Durante o pronunciamento, Milei também afirmou que os Estados Unidos estão avaliando mudar sua posição sobre a questão das Malvinas, por considerar a Argentina "um parceiro confiável" e um potencial aliado estratégico para as próximas décadas.

A declaração ocorre depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter deixado apontado, na segunda-feira (31), a possibilidade de revisar a posição de Washington sobre o tema. "Sempre reviso todas as posições. Essa é apenas uma entre muitas", respondeu Trump ao ser questionado especificamente sobre o assunto durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca.

Até o momento, os Estados Unidos mantêm uma posição de neutralidade em relação à questão. Washington reconhece a administração britânica de fato no arquipélago, mas não toma partido entre as reivindicações de soberania apresentadas pela Argentina e pelo Reino Unido.

Em abril, no entanto, a Reuters informou sobre um e-mail interno do Pentágono que mencionava uma possível revisão da posição americana sobre as Malvinas entre as medidas que poderiam ser adotadas como forma de pressionar aliados europeus.

Uma porta aberta para a negociação?

Milei reagiu com entusiasmo às declarações de Trump. "Aconteceu algo muito forte em relação à causa mais importante e sagrada que nós, argentinos, temos", afirmou na terça-feira, sem explicar ao que poderia levar o sinal emitido por Washington.

Na mesma linha, o chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou na quarta-feira que o país está avançando em direção ao objetivo de recuperar a soberania sobre o arquipélago. "Sempre há chances, estamos sempre mais perto", declarou. Em seguida, reforçou que "as Malvinas são argentinas" e que defender os interesses do país no arquipélago é "uma obrigação e uma responsabilidade".

Quirno explicou que se trata de um trabalho diplomático "de longa data", que também precisa se traduzir em "ações muito concretas". Um dia antes, o chanceler havia apresentado a Milei e a seus ministros os avanços que, segundo o governo, a Chancelaria vem obtendo em torno da reivindicação de soberania.