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Washington pretende tomar o petróleo da Venezuela? Secretário de Energia dos EUA responde

"O que hoje é um problema, é uma oportunidade para o amanhã", afirmou Christopher Wright.
Washington pretende tomar o petróleo da Venezuela? Secretário de Energia dos EUA respondePedro Mattey / AP

O secretário de Energia dos EUA, Christopher Wright, negou categoricamente que seu país pretenda se apropriar do petróleo da Venezuela e defendeu o acordo petrolífero binacional assinado recentemente. A autoridade considera que o tratado faz parte de um plano do presidente norte-americano, Donald Trump, para "substituir o conflito pelo comércio".

"De forma alguma", respondeu Wright ao ser questionado pela emissora CNBC sobre se a Casa Branca teria posto em prática um plano "desumano", com o objetivo de "apropriar-se" das grandes reservas petrolíferas no subsolo venezuelano.

O funcionário argumentou que as importantes reservas de hidrocarbonetos da Venezuela, consideradas as maiores do mundo, não correspondem ao nível atual de produção registrado pelo país sul-americano. "O que hoje é um problema, é uma oportunidade para o amanhã", afirmou, ao defender as oportunidades comerciais que o acordo traz.

"Substituir o conflito pelo comércio"

"Nosso acordo aumenta a confiança no investimento privado e nos acordos comerciais na Venezuela. […]. Isso faz parte do grande plano do presidente Trump de substituir o conflito pelo comércio", destacou. Segundo Wright, o fluxo comercial será favorecido pelo aumento esperado na produção de petróleo na Venezuela, que ele estimou em cerca de 2,5 milhões de barris por dia em um prazo de 24 meses.

Segundo o secretário de Energia norte-americano, a política externa de Trump para a região consiste em "retomar as relações pacíficas e prósperas entre os países da América do Norte e da América do Sul, que passaram por momentos difíceis nas últimas décadas". Nesse sentido, ele afirmou que está ocorrendo uma "transformação absolutamente histórica", tanto em Caracas "quanto nas relações entre a Venezuela e os EUA".

Wright chegou à capital venezuelana para realizar uma reunião de alto nível com a presidente encarregada, Delcy Rodríguez. Durante o encontro, as autoridades assinaram vários acordos com empresas ligadas ao setor petrolífero e ao setor elétrico.

O pacto se desenrolou em duas etapas, com uma delas envolvendo a assinatura de um contrato entre o governo dos EUA e a empresa privada NABEP, de propriedade do empresário venezuelano Alejandro Betancourt, segundo reveleram Wright e Rodríguez em declarações à imprensa.

  • Em seguida, a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou em comunicado a assinatura do acordo e o apresentou como resultado "do fortalecimento da relação entre Venezuela e Estados Unidos", que "facilitará um importante fluxo de investimentos destinado à recuperação e reconstrução de infraestrutura estratégica para o desenvolvimento" da indústria de hidrocarbonetos.