
Venezuela assina acordos energéticos com os EUA e petrolíferas

O governo da presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, assinou nesta quarta-feira (2) acordos energéticos com uma delegação dos EUA liderada pelo secretário de Energia, Chris Wright, poucos dias após a divulgação do acordo petrolífero com Washington.
"Hoje é um dia histórico na transformação da Venezuela", afirmou Wright, que declarou que o objetivo do presidente dos EUA, Donald Trump, é "levar paz, liberdade e prosperidade ao povo da Venezuela".
Do Palácio de Miraflores, sede do Executivo venezuelano em Caracas, Wright afirmou que "o catalisador para mudar a Venezuela é a energia" e, por isso, Trump determinou "avançar o mais rápido possível para transformar a Venezuela".
Posteriormente, Rodríguez concordou com o secretário de Energia. "Hoje estamos fazendo história", afirmou.

Um passo "extraordinário"
Rodríguez classificou como "o mais extraordinário" o contrato assinado para que a Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec) possa "recuperar sistemas de transmissão".
"É essencial para a vida de uma nação. Sem eletricidade, não há vida. Estamos assinando pela vida dos venezuelanos", ressaltou.
A presidente encarregada também afirmou que esses acordos devem se traduzir em "mais empregos, melhores salários", além de melhores serviços públicos. "É essa a transformação de que a Venezuela precisa: superar as dificuldades e avançar no desenvolvimento de seus recursos naturais", acrescentou.
Rodríguez reiterou que é "algo extraordinário" o acordo firmado especificamente com a General Electric para "recuperar a infraestrutura elétrica da indústria petrolífera", de modo que o setor "tenha capacidade própria" e, assim, não sobrecarregue o sistema elétrico venezuelano.
Após a assinatura, alguns dos principais executivos envolvidos celebraram o acordo, concebido para garantir "investimentos de longo prazo". Entre eles, o CEO da Chevron, Mike Wirth, agradeceu à presidente encarregada Delcy Rodríguez pela oportunidade e destacou o acordo firmado com o país que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
O acordo prevê a expansão das operações da Chevron. Nesse sentido, Wirth anunciou um investimento superior a US$ 7 bilhões por meio de suas empresas mistas na Venezuela.
Por meio das empresas mistas mantidas pela Chevron com a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), está previsto, em uma primeira etapa, elevar a produção de 250 mil para 420 mil barris por dia. Em uma segunda fase, a expectativa é superar 700 mil barris diários.
Por sua vez, o CEO da empresa italiana de energia Eni, Claudio Descalzi, afirmou que essa nova parceria, estabelecida após "meses de intenso trabalho", é o "primeiro passo neste caminho" que permitirá construir um "futuro esplêndido para a Venezuela".
- Na sexta-feira (28), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou em suas redes sociais que seu governo chegou a um acordo petrolífero com as autoridades da Venezuela, que classificou como "o maior da história mundial". Segundo Trump, o acordo garante aos EUA "o controle majoritário" de mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo venezuelano - estimadas em cerca de 300 bilhões de barris -, além de permitir repor a reserva estratégica dos EUA. "É um presente da Venezuela ao povo dos EUA", afirmou na ocasião.
- Em seguida, a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou em comunicado a assinatura do acordo e o apresentou como resultado "do fortalecimento da relação entre Venezuela e Estados Unidos", que "facilitará um importante fluxo de investimentos destinado à recuperação e reconstrução de infraestrutura estratégica para o desenvolvimento" da indústria de hidrocarbonetos.
- Além disso, em mensagem à nação, Rodríguez detalhou, entre outros pontos, que o acordo terá duração de 25 anos e renderá ao Estado venezuelano ganhos estimados em US$ 209,335 bilhões, considerando um preço de US$ 65 por barril. A presidente encarregada também afirmou que a Venezuela manterá a propriedade e a soberania sobre seus recursos naturais.

