O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, assinou um decreto na sexta-feira (21) para erguer um monumento em Kiev em homenagem a Ivan Mazepa, figura militar e política do final do século XVII e início do século XVIII, que ficou conhecido na história como um traidor do Estado.
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De acordo com o documento, o Conselho de Ministros deve organizar um concurso público, cujo resultado determinará o projeto e a construção do monumento. Além disso, em conjunto com as autoridades da capital ucraniana, deverá ser definido e preparado um local para o monumento e garantir sua integração com a arquitetura da cidade.
Anteriormente, o chefe do regime ucraniano indicou que considerava a Avenida Taras Shevchenko o local ideal para a estrutura, onde até dezembro de 2013 ficava uma estátua de Vladimir Lenin.
Após o golpe de 2014, ruas começaram a ser nomeadas em homenagem a Mazepa, considerado pelo regime de Kiev "um nobre cossaco que lutou para restaurar a independência política e militar da Ucrânia do domínio do Czarado de Moscou". Sua imagem também aparece na nota e na moeda de 10 grívnias que entraram em circulação em 2020. Em agosto de 2022, Zelensky batizou uma corveta ucraniana em sua homenagem.
Um traidor para quem a Ordem de Judas foi criada especificamente
Mazepa (1639-1709) nasceu perto da cidade de Belaya Tserkov, próxima a Kiev, que na época fazia parte da República das Duas Nações (Reino da Polônia e Grão-Ducado da Lituânia). Após uma breve estadia na corte do rei polonês João II Casimiro, partiu para estudar na Europa Ocidental. Mais tarde, casou-se com a filha de um influente cossaco que o ajudou a garantir uma posição de destaque. Em 1667, tornou-se hetman (comandante militar) da Ucrânia da Margem Esquerda do Rio Dniepr, que na época pertencia ao Estado russo.
Quando Pedro I ascendeu ao poder em 1689, Mazepa conseguiu cultivar uma relação próxima com o czar e, assim, tornou-se um dos proprietários de terras mais ricos da região. O nobre obedecia ostensivamente a todas as ordens do monarca, mas estava constantemente tramando contra ele. Em 1707, negociou secretamente com o rei sueco Carlos XII e o novo rei polonês Estanislau I Leszczyński com o objetivo de separar a Ucrânia da Rússia. No ano seguinte, prometeu ao rei polonês as cidades de Kiev, Chernigov e Smolensk, e para si próprio, solicitou o título de príncipe e as cidades de Vitebsk e Polotsk.
Em outubro de 1708, Mazepa juntou-se abertamente ao rei da Suécia, o principal adversário da Rússia na Grande Guerra do Norte (1700-1721). Cerca de 3 mil cossacos de Zaporizhie juntaram-se a ele, aliando-se aos suecos. Foi Mazepa quem aconselhou Carlos XII a avançar sobre Moscou através de Poltava. Lá, os suecos sofreram uma derrota.
O traidor não teve outra escolha senão fugir para o Império Otomano, onde morreu em setembro de 1709. Na Rússia, ele foi condenado à "danação eterna" e executado simbolicamente: sua efígie foi removida, seus títulos de nobreza foram arrancados e suas medalhas foram retiradas. Em seguida, a efígie foi arrastada pela cidade e queimada. Mazepa também foi excomungado na Catedral da Assunção, em Moscou. Pedro, o Grande, ordenou que a Ordem de Judas fosse criada em homenagem a Mazepa, em uma forma única e exclusiva.