
O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob, diagnosticada no influenciador especialista em aviação Lito Sousa?

A esposa do influenciador Lito Sousa, do canal Aviões e Música, informou nesta sexta-feira (21) que ele foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Trata-se de uma enfermidade neurológica rara, progressiva e fatal.
Em casos muito raros, há relatos de contaminação pelo consumo de carne bovina de um animal infectado pela encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como "doença da vaca louca".
Segundo Mila Seidl, Lito perdeu parte da capacidade motora nas últimas semanas, embora ainda mantenha a lucidez.

Em julho, Lito havia revelado um diagnóstico de câncer de próstata. No início de agosto, contou que, durante o tratamento, percebeu uma dormência incomum no braço esquerdo.
O sintoma se agravou após uma viagem aos Estados Unidos, levando-o a retornar ao Brasil para investigação médica. Segundo a esposa, exames realizados após o quadro de inflamação cerebral levaram ao diagnóstico da DCJ.
A família informou que Lito deverá receber atendimento em home care e precisará de um cuidador.
O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob
Segundo o Ministério da Saúde, a DCJ é uma doença priônica humana rara, neurodegenerativa, progressiva e fatal, caracterizada pela rápida deterioração das funções neurológicas.
A doença está associada aos príons, proteínas anormais capazes de provocar alterações no tecido cerebral. A forma mais comum é a esporádica, responsável por aproximadamente 85% dos casos confirmados, sem causa conhecida.
Não existe certeza sobre como a doença é transmitida. Como dito, há uma inclinação a relacionar a DCJ ao consumo de carne infectada. Contudo, de acordo com o Ministério da Saúde, não é possível fazer essa correlação certeira, nem com qualquer padrão conhecido.
Quais são os sintomas
Os sintomas podem incluir demência, perda de memória, tremores, falta de coordenação motora, alterações da fala e da visão, espasmos musculares e mudanças de comportamento.
A progressão costuma ser rápida. Com o avanço da doença, podem surgir paralisias, crises epilépticas e perda cada vez maior das habilidades psicomotoras.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é considerado desafiador porque os sintomas podem se confundir com outras doenças neurológicas. Exames como ressonância magnética, eletroencefalograma, tomografia, análise do líquor e testes genéticos podem auxiliar na identificação da doença.
Segundo o Ministério da Saúde, a confirmação definitiva depende da análise neuropatológica de fragmentos do cérebro, obtidos por biópsia ou necropsia.
Existe tratamento?
Não há, atualmente, tratamento capaz de interromper ou modificar a evolução da DCJ. O atendimento é voltado ao controle dos sintomas e das complicações, além do suporte físico, nutricional e psicológico ao paciente e à família.
De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 90% das pessoas diagnosticadas evoluem para óbito em até um ano.
A doença é contagiosa?
A forma esporádica da DCJ não é transmitida pelo contato social cotidiano. Não há evidências de transmissão pelo ar, abraços, beijos, relações sexuais, compartilhamento de copos ou utensílios domésticos.
O Ministério da Saúde também informa que não há risco diferenciado para familiares pelo contato casual com o paciente. As medidas específicas de prevenção estão principalmente relacionadas à biossegurança em procedimentos médicos que possam envolver tecidos contaminados.
Casos no Brasil
A DCJ integra a lista de doenças de notificação compulsória no Brasil desde 2005. Entre 2005 e 2021, foram registradas 1.576 notificações de casos suspeitos no país.
São Paulo concentrou 32,5% dessas notificações, seguido por Paraná (12%) e Minas Gerais (10%). A maior frequência ocorreu entre pessoas de 55 a 74 anos, faixa que correspondeu a 60,2% dos casos suspeitos registrados no período.

