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O negócio macabro que forçou o necrotério de Harvard a pagar indenizações milionárias

As autoridades de Harvard classificaram o caso como "desprezível" e "uma flagrante traição" aos princípios e valores da comunidade médica.
O negócio macabro que forçou o necrotério de Harvard a pagar indenizações milionáriasSteven Porter / The Boston Globe / Gettyimages.ru

Durante seis anos, partes de corpos humanos doados para pesquisas científicas na Universidade de Harvard foram roubadas do necrotério da Faculdade de Medicina e vendidas a compradores particulares pelo então gerente da unidade, Cedric Lodge.

Segundo autoridades e veículos de imprensa locais, Lodge criou o esquema em 2018 com a ajuda de sua esposa. O casal teria retirado ilegalmente restos mortais de doadores e os enviado a compradores de outros estados dos Estados Unidos sem o conhecimento ou a autorização da universidade, dos doadores ou de seus familiares.

Entre os restos mortais comercializados estavam órgãos, cérebros, pele, mãos, rostos e cabeças dissecadas. Lodge foi demitido em 2023 após descobrirem o esquema; ele posteriormente se declarou culpado das acusações de tráfico de restos humanos.

O processo terminou em dezembro de 2025. Lodge foi condenado a oito anos de prisão, enquanto sua esposa recebeu uma pena de um ano. Outros seis envolvidos na mesma rede também foram condenados após admitirem participação no esquema.

As investigações concluíram que os envolvidos agiram "sem o conhecimento ou permissão de seu empregador, dos doadores ou das famílias dos doadores". As autoridades de Harvard classificaram o caso como "desprezível" e "uma flagrante traição" aos princípios e valores da comunidade médica.

Diante do escândalo, a Universidade de Harvard anunciou que pretende buscar autorização judicial para indenizar as famílias afetadas. A instituição propôs a criação de fundos para um acordo coletivo no valor total de US$ 53 milhões. A proposta recebeu aprovação preliminar de um juiz de um tribunal estadual em Boston na terça-feira (18).