Notícias

Da esquerda à extrema direita: pêndulo político de Nadia Beller, ativista boliviana baleada

Beller ganhou notoriedade ao acusar seu parceiro, Fernando Cerimedo, um conhecido assessor da extrema direita latino-americana, de tentar assassiná-la.
Da esquerda à extrema direita: pêndulo político de Nadia Beller, ativista boliviana baleadaRedes sociais

O atentado contra a ativista política boliviana Nadia Beller desencadeou um escândalo político que resultou em sua hospitalização e na prisão de seu companheiro, o consultor argentino Fernando Cerimedo, que está sendo investigado por suposto envolvimento no ataque.

Beller ganhou destaque ao revelar diversas acusações que implicam Cerimedo, que até sua prisão atuava como assessor pessoal do presidente Rodrigo Paz e possui ligações comprovadas com campanhas nas redes sociais em apoio a outros líderes de direita na região, como Javier Milei e Jair Bolsonaro.

Beller afirmou que seu companheiro tentou matá-la após uma discussão na última sexta-feira (14). A discussão começou porque ela reclamou das longas ausências dele no exterior, que resultaram na negligência com sua gravidez. Segundo ela, a discussão se intensificou e ela o ameaçou denunciá-lo por tentativa de feminicídio.

"Nós discutimos e, no fim, eu disse a ele: 'Você não vai chegar perto de mim nem do meu filho'. Ele respondeu: 'Eu vou cuidar do bebê; você não pode me impedir'. E eu disse a ele: 'Vou denunciá-lo por violência'. Isso já aconteceu antes. Ele tentou cometer um feminicídio e acobertou o caso. O Ministro do Governo, um agente do presidente [Rodrigo Paz], o médico do presidente [Paz] e outro assessor do presidente. Eles se certificaram de que a polícia fosse embora e que nenhum registro ficasse na Procuradoria", afirmou ela em entrevista ao canal de notícias A24.

Advogada, especialista em direito constitucional e analista

Beller é originária da cidade de Santa Cruz de la Sierra, um conhecido reduto da extrema-direita boliviana. Ela é advogada e, em 2019, concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa Plurinacional pelo então partido governista Movimento para o Socialismo (MAS), segundo o jornal Ámbito.

No entanto, sua ascensão na mídia boliviana corresponde a um período anterior, estabelecido de forma um tanto vaga durante o segundo mandato do ex-presidente Evo Morales. Naquela época, ela se apresentava como constitucionalista e analista política com uma perspectiva de esquerda, embora sem qualquer filiação partidária conhecida.