
Irã lança alerta internacional sobre EUA

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, emitiu um alerta global nesta quinta-feira (20), em mensagem publicada no X, sobre a política de sanções dos Estados Unidos, que descreveu como "terrorismo econômico" que "ameaça a economia mundial e a soberania em todo o planeta".

O chanceler argumentou que o chamado "Dia D' econômico" promovido por Washington não é nada mais do que "uma distração da própria crise dos EUA: dívida sem precedentes e custos de juros crescentes".
Ele também afirmou que insistir nessas mesmas receitas "fracassadas" só trará "novas derrotas e a inimizade dos iranianos" e alertou que o uso de sanções unilaterais como arma política tem efeitos que transcendem o Irã e afetam todo o sistema econômico internacional.
"Operação econômica mais devastadora"
Trump anunciou na quarta-feira (19) uma nova ofensiva econômica contra Teerã após afirmar que o Irã não aproveitou as oportunidades oferecidas para chegar a um acordo. O presidente americano prometeu uma "guerra econômica" e um "isolamento sem precedentes", além de emitir um alerta a países terceiros.
O presidente dos EUA afirmou que qualquer país cujas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ajudem o Irã a evitar as sanções enfrentará "enormes consequências econômicas".
Os progressos rumo às negociações de paz e à retomada do tráfego pelo Estreito de Ormuz estagnaram recentemente, sem sinais de que as partes estejam caminhando para um fim do conflito iniciado pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro.
Negociações estagnadas
O anúncio de Trump vem em meio ao impasse nas negociações para encerrar o conflito e retomar o tráfego pelo Estreito de Ormuz. Não há sinais de avanço entre as partes, apesar de a Casa Branca afirmar que as negociações continuam.
Autoridades iranianas, por outro lado, negam que haja conversas em andamento. Teerã chegou a classificar a versão americana sobre as negociações como uma "fantasia", decorrente, segundo as autoridades iranianas, da derrota e do desespero na guerra.
Ormuz: ponto central de tensão
O Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo, tornou-se um ponto central de tensão desde que os Estados Unidos, juntamente com Israel, iniciaram seus ataques contra o Irã em 28 de fevereiro.

Em resposta, Teerã fechou a rota marítima e iniciou negociações com Omã para estabelecer um mecanismo conjunto de trânsito marítimo.
Em 8 de julho, Trump declarou encerrado o cessar-fogo alcançado na noite de 17 para 18 de junho. Depois disso, as forças dos EUA lançaram vários ataques contra o Irã. Washington acusou Teerã de atacar navios comerciais em Ormuz, enquanto o Irã denunciou violações dos EUA ao memorando de entendimento e respondeu comdiversos ataques contra bases militares dos EUA no Oriente Médio.
Em 5 de agosto, Teerã informou que Irã e Omã chegaram a um acordo sobre as coordenadas geográficas de uma nova rota pelo estreito.
Em 8 de agosto, o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que a nova ordem imposta pelo Irã no Estreito de Ormuz é "irreversível" e advertiu que os Estados Unidos não têm outra alternativa a não ser aceitá-la ou "arcar com custos muito maiores" do que no passado.
Em 9 de agosto, a Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano aprovou um projeto de lei que estabelece novas regras para o trânsito pelo estreito, afirmando que não permitirá que nenhuma embarcação atravesse a passagem sem sua autorização.
O bloqueio do Estreito de Ormuz tornou-se a maior crise petrolífera já registrada. O fechamento do estratégico corredor marítimo retirou 10,1 milhões de barris por dia dos mercados internacionais, quase o dobro do registrado durante a Revolução Iraniana, que agora ocupa o segundo lugar entre as maiores interrupções de fornecimento da história.

