A rota fantasma do petróleo: Como milhões de barris atravessam Ormuz 'no escuro'

O comércio sem rastreamento envolve países do Oriente Médio e ganhou dimensão em meio à redução do fluxo convencional de petróleo pela passagem.

Países do Oriente Médio transportam há meses milhões de barris de petróleo pelo estreito de Ormuz em embarcações que circulam com os sistemas de rastreamento desligados, segundo informações publicadas pela Bloomberg no domingo (16). 

Depois de atravessar a passagem, parte da carga é transferida para outros petroleiros no golfo de Omã. O volume movimentado dessa forma supera 4 milhões de barris por dia.

Segundo a agência, o comércio "está a todo vapor" e permite que carregamentos atravessem uma área disputada entre Irã e Estados Unidos sem que a posição e a identidade de parte das embarcações sejam transmitidas pelos sistemas convencionais.

A operação pode ser observada com mais clareza fora do estreito, nas proximidades da costa de Omã. Dados do satélite Sentinel 1, da União Europeia, analisados pela Bloomberg, apontam que cerca de 150 embarcações estão atualmente na região, entre petroleiros e graneleiros. No início do ano (2026), eram aproximadamente 40.

Além dos navios concentrados na área, outras embarcações aguardam para receber ou entregar cargas transportadas por navios que entram e saem de Ormuz com os transponders desligados. Sem esses equipamentos em funcionamento, informações como posição e identidade deixam de ser transmitidas.

Entre os países que utilizam esse tipo de transporte estão Emirados Árabes Unidos,Iraque, Catar e Kuwait, de acordo com dados de acompanhamento de navios compilados pela publicação. A Arábia Saudita também considera recorrer ao esquema diante dos ataques dos houthis do Iêmen contra a rota alternativa pelo mar Vermelho.

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O impacto sobre os preços do petróleo

Antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, cerca de 20 milhões de barris de petróleo atravessavam diariamente o estreito de Ormuz. Em 12 de agosto, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o volume havia caído para cerca de 9 milhões de barris por dia.

Segundo a Bloomberg, os carregamentos que atravessam a região sem aparecer de forma regular nos sistemas de rastreamento ajudam a manter a oferta de petróleo e reduzem a pressão sobre os preços, além de diminuir o risco de alta da inflação em meio aos preços da energia.

Analistas e operadores citados pela agência relacionam esses embarques ao comportamento dos contratos futuros do petróleo Brent, que foram negociados entre US$ 80 e US$ 90 por barril durante agosto. No início do conflito, havia previsões de que o preço poderia alcançar US$ 150 por barril.