Irã entra em choque com país do Golfo após reviravolta no caso de dois Su-24 abatidos: o que aconteceu?

Teerã afirma ter recebido informações confiáveis de que três dos quatro aviadores dos bombardeiros abatidos em março conseguiram ejetar-se e foram capturados pelo Catar.

A história do abate de dois bombardeiros Su-24 iranianos sobre o Catar, reportado em 2 de março, pouco depois do início da agressão dos EUA e de Israel contra a nação persa, ganhou uma reviravolta inesperada. O Irã afirma ter recebido informações confiáveis de que três dos quatro tripulantes das aeronaves abatidas, inicialmente dados como desaparecidos em combate, conseguiram ejetar-se, sobreviveram e estão atualmente em cativeiro no Catar.

O general de brigada Mohammad Bagherzadeh, chefe do Comitê de Busca por Desaparecidos do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, pediu à presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric Egger, que intervenha no caso dos três aviadores que, segundo Teerã, estão detidos pelas forças catarianas. A carta enviada no sábado (15) identifica os pilotos como Javad Salehi, Abdolmajid Dashtian e Omran Behraveshian.

Segundo o documento, os dois Su-24 decolaram em 2 de março para cumprir uma missão de combate contra uma base militar dos EUA localizada no Catar. Durante o retorno à base, as aeronaves foram atingidas pelas defesas aéreas inimigas, obrigando os pilotos a ejetar-se. Um dos quatro tripulantes, identificado como o piloto Majid Kazemi, morreu.

«Projeção de poder e (também) alvo inimigo: onde estão os militares americanos no Oriente Médio.»

Bagherzadeh afirma na carta que os outros três pilotos foram capturados com vida pelas forças catarianas. Segundo o documento, já se passaram seis meses desde o incidente sem que Doha tenha permitido que os militares se encontrem com suas famílias, sejam entrevistados ou mantenham contato com as autoridades iranianas responsáveis pelo acompanhamento do caso.

"O governo catariano ignorou e violou os direitos inalienáveis desses prisioneiros", afirma a mensagem, em referência às normas do direito internacional. O comandante classificou a situação como grave e como um possível "crime de guerra" e pediu ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha que entreviste os pilotos o quanto antes e informe ao Irã sobre seu estado de saúde.

A carta afirma ainda que os pilotos participavam de uma operação de resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro de 2026. Bagherzadeh também citou as disposições da Terceira Convenção de Genebra relativas aos direitos dos prisioneiros de guerra e pediu ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha que facilite as condições para a rápida libertação dos militares.