
Gilmar Mendes defende investigação de fonte de jornalista: 'O sigilo está sujeito a uso e abuso'

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou em entrevista nesta sexta-feira (14) que, embora simpatize com as preocupações da imprensa com o caso de Raimundo Cutrim, o direito a sigilo de fonte não pode ser utilizado para cometer potenciais delitos.

A posição de Mendes se alinha com a de Alexandre de Moraes, que determinou uma operação de busca e apreensão contra Cutrim nesta terça-feira (11). Ele teria sido a fonte do jornalista Luís Pablo numa investigação sobre o suposto uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de outro ministro do STF, Flávio Dino.
"Como qualquer direito ou sistema de proteção de direito, nós temos o uso e o abuso. Certamente, nós não podemos usar determinadas prerrogativas para delas abusar ou eventualmente frustrar outros direitos", disse o ministro.
Mendes afirmou que a investigação aponta para indícios de "ameaça, chantagem e constrangimento ilegal". O jornalista maranhense é acusado de perseguição contra o ministro e seus familiares.
O ministro diz entender a preocupação da imprensa, e que o sigilo de fonte "é um dos pilares do sistema de imprensa livre". Ainda assim, acredita ser necessário "matizar as situações".
