O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, reforçou nesta quinta-feira (13) ameaças contra "organizações terroristas designadas", durante coletiva de imprensa no Panamá. As facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) receberam a classificação em maio de 2026. O movimento, segundo autoridades brasileiras, abre a possibilidade do uso de força militar contra o Brasil.
Ao ser questionado se Washington estaria disposto a lançar ataques contra grupos armados na Colômbia, incluindo dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN), Hegseth respondeu afirmativamente. Ele também declarou que outras organizações consideradas como "terroristas" seriam "alvos legítimos".
"As organizações terroristas designadas, em conjunto com os governos parceiros — incluindo a Colômbia —, serão alvos legítimos do governo dos Estados Unidos, em colaboração com esses governos", disse.
Riscos
A medida de Washington contra o CV e o PCC amplia alcance de mecanismos de contraterrorismo e endurece instrumentos de sanção. Desde então, brasileiros e empresas supostamente ligados às facções foram sancionados.
Entre os principais efeitos estão:
- Inclusão das facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO)
- Ampliação de sanções financeiras e bloqueio de ativos ligados aos EUA
- Possíveis restrições de visto e entrada em território americano para pessoas associadas
- Maior atuação de órgãos de contraterrorismo em investigações
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou em julho que o governo brasileiro vê risco dos EUA utilizarem força militar contra o país. O Itamaraty também aponta o caráter "unilateral" da classificação e citou risco de aplicação ampla da legislação antiterrorismo norte-americana, atingindo instituições e cidadãos brasileiros em diferentes áreas.
Já Washington defendeu a classificação, sustentando que mesmo norte-americanos não estão imunes às consequências de qualquer envolvimento com as organizações criminosas.
"Essa medida demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump em eliminar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano", declararam fontes do governo Donald Trump no início de julho.