Japão opta pela militarização sob a asa dos EUA, afirma Lavrov

O chanceler russo exemplificou uma situação que reflete as relações atuais entre Moscou e Tóquio.

As autoridades do Japão optaram por garantir os interesses nacionais junto com os Estados Unidos, apostando na militarização. A declaração foi feita nesta quinta-feira (13) pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, em entrevista divulgada pelo órgão.

"[O ex-primeiro-ministro Shinzo] Abe foi um político absolutamente íntegro, consciente de que os interesses nacionais não podem ser garantidos sem a colaboração com a Federação da Rússia. Aqueles que o sucederam consideram que esses interesses devem ser garantidos junto com os Estados Unidos, iniciando a militarização do Japão", afirmou o chanceler.

Lavrov citou uma situação como exemplo sobre as relações atuais entre Moscou e Tóquio. Durante a reunião da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) nas Filipinas, um ministro japonês anunciou que os dois países haviam debatido as relações bilaterais e a conjuntura na região asiática. No entanto, o que o funcionário nipônico chamou de "discussão" foi na verdade um aperto de mãos entre Lavrov e seu colega japonês durante um banquete de gala com todos os ministros.

"De repente, alguém me toca o ombro por trás. Me viro: ali está nosso colega japonês, que me diz o quanto está feliz em me ver, o quanto está bem... Nem tive tempo de me levantar. Apertei sua mão e ele foi para seu lugar", relatou Lavrov.

Segundo o ministro, recentemente, uma delegação empresarial japonesa visitou a Rússia, e os executivos "tinham instruções estritas das autoridades do país para não discutir nenhum projeto conosco".

Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores do Japão expressou um "firme protesto" pela visita do presidente russo, Vladimir Putin, a Iturup, a primeira que ele realiza às ilhas Curilas. A parte sul do território é reivindicada por Tóquio, enquanto Moscou reafirma sua soberania sobre o arquipélago, que se encontra entre a península russa de Kamchatka e a ilha japonesa de Hokkaido.

Postura russa

O protesto de Tóquio e a renovação de antigas reivindicações ocorrem justamente um dia depois de o presidente russo, Vladimir Putin, ter supervisionado a fase final das manobras em grande escala da Frota russa do Pacífico durante sua visita à cidade de Yuzhno-Sakhalins. Na ocasião, ele se pronunciou sobre as reivindicações do Japão a respeito das ilhas Curilas.

O mandatário insistiu que a soberania das ilhas "está estabelecida em documentos internacionais como uma realidade surgida a partir da Segunda Guerra Mundial" em 1945, ao mesmo tempo em que destacou que, "ainda assim", Moscou "estava disposto" a "buscar uma solução" para essa questão. Nesse contexto, reiterou que Moscou não tem "absolutamente nenhuma reivindicação" em relação à nação nipônica e que ela não representa "uma ameaça" para a Rússia, apesar de o país ter sido incluído por Tóquio "entre as principais fontes de ameaça".

Por outro lado, Putin lembrou que o Japão introduziu sanções não provocadas contra a Rússia "sob o pretexto" da crise ucraniana e "sem entrar" nas causas do conflito.