
Embaixador dos EUA chama cerco de colonos israelenses a famílias palestinas de 'terrorismo'

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, classificou, nesta quinta-feira (13), como "ato de terror" a ação de colonos israelenses que manteve três famílias palestinas isoladas dentro de suas casas na aldeia de Qusra, na Cisjordânia ocupada.
O episódio provocou uma rara manifestação pública de crítica do principal representante de Washington em Israel.
Huckabee, conhecido por seu apoio aos assentamentos israelenses no território palestino, afirmou que os responsáveis pelo bloqueio agiram para "intimidar e assediar" uma das famílias. "Não há desculpa para um comportamento tão truculento", escreveu nesta quinta-feira (13) em uma publicação no X.

Os colonos haviam montado barreiras com pedras e barracas ao redor das residências, restringindo a entrada e a saída dos moradores. Segundo relatos locais, o cerco também interrompeu o fornecimento de água e eletricidade e dificultou a chegada de alimentos e outros itens básicos.
Vítimas do terror
Uma das famílias afetadas tem integrantes com cidadania americana. Loai Ridi, americano-palestino ligado a uma das casas, afirmou que seu irmão e seu sobrinho de 18 anos permaneceram no imóvel mesmo diante das condições impostas pelo bloqueio.
A decisão de permanecer na propriedade está relacionada ao temor de que a saída permita a ocupação das terras por colonos. "Se ele sair, os colonos vão tomar conta imediatamente", afirmou Ridi à rede de comunicação catari Al Jazeera.
A situação também levou Huckabee a cobrar a atuação das autoridades israelenses. O diplomata afirmou que a embaixada americana havia solicitado a intervenção das forças de segurança para retirar os colonos envolvidos no bloqueio.
O Exército israelense informou posteriormente que havia desmontado dois "postos avançados ilegais" nos arredores de Qusra e da vizinha Jalud. Segundo as Forças Armadas, equipamentos foram apreendidos e um israelense foi detido.
Vila isolada
O bloqueio às residências ocorreu em meio a restrições de acesso à própria Qusra. Segundo a correspondente da Al Jazeera Nida Ibrahim, as entradas da aldeia foram fechadas por forças israelenses, dificultando a chegada de outros palestinos que tentavam levar ajuda aos moradores.
O episódio ocorre em uma região que tem registrado sucessivos confrontos entre palestinos que tentam resistir em suas casas e colonos invasores israelenses. Em julho, duas famílias de Jalud deixaram suas terras após um bloqueio que durou cerca de duas semanas. Posteriormente, colonos ocuparam a área.
Os ataques de colonos contra palestinos e propriedades na Cisjordânia se intensificaram nos últimos meses. O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é acusado por autoridades palestinas e organizações internacionais de permitir e estimular a expansão dos assentamentos.
Mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967. A população palestina na região é estimada em cerca de 3 milhões. Os assentamentos israelenses são considerados ilegais pelo direito internacional.

