
Rússia revela como Ucrânia agrava escassez de grãos e fertilizantes

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou, em uma declaração oficial nesta quarta-feira (12), o regime de Kiev de agravar a escassez global de grãos e fertilizantes por meio de ataques sistemáticos à infraestrutura logística e a embarcações civis nas águas do Mar de Azov e do Mar Negro.

"Durante o verão, o regime de Kiev, utilizando sistemas de drones e informações fornecidas pela OTAN e por países da UE, intensificou os ataques contra a infraestrutura de transporte costeiro e logística, bem como contra embarcações civis no Mar de Azov e na região do Mar Negro".
Segurança da navegação comprometida
A diplomata indicou que tais ofensivas, além de causarem baixas civis e danos materiais a navios comerciais internacionais e à infraestrutura portuária, "carecem de justificativa militar e violam o direito internacional que garante a segurança de embarcações civis".
Ela afirmou ainda que essas ofensivas criaram dificuldades para o transporte de cargas preparadas ao longo das rotas de exportação estabelecidas e causaram atrasos na entrega de grãos, oleaginosas e ração animal a importadores internacionais, cujas necessidades são amplamente atendidas por empresas russas.
Zakharova afirmou que, nessas condições, as forças russas estão se esforçando para garantir a segurança da navegação.
"Elas estão realizando ataques de alta precisão contra instalações utilizadas pelas Forças Armadas da Ucrânia no Mar Negro para desestabilizar a situação da navegação, e atacando infraestrutura e embarcações que transportam armas ocidentais e equipamentos militares para o regime de Kiev", explicou. A porta-voz acrescentou ainda que esse trabalho continuará até a completa eliminação das ameaças à segurança projetadas nessas áreas marítimas.
"Tudo isso intensifica a escassez de grãos e fertilizantes, eleva os preços globais dos alimentos e agrava os custos para os países do Sul Global e do Leste, que se tornam reféns das políticas irresponsáveis dos 'atores' mencionados", enfatizou o funcionário.
A porta-voz apelou para que a comunidade internacional faça uma avaliação objetiva dos crimes do regime de Kiev e a utilizarem todos os meios disponíveis para impedir suas atividades ilegais e garantir a exportação irrestrita de produtos agrícolas.
Ataques ucranianos mortais
A porta-voz destacou incidentes que ilustram a atividade criminosa de Kiev:
- No dia 5 de junho, drones ucranianos atacaram os navios cargueiros Natra e Tsirkon no Mar de Azov. Os navios navegavam da Turquia para o porto de Rostov-do-Don, sob as bandeiras de Belize e Palau, para transportar grãos. Cinco pessoas morreram e três ficaram feridas.
- Em julho, foram registrados pelo menos 100 ataques de drones contra embarcações comerciais nos mares de Azov e Negro, que transportavam produtos agrícolas russos para os mercados mundiais.
- Em 18 de julho, o navio graneleiro MV Omorfi, navegando sob a bandeira das Ilhas Marshall e transportando grãos, foi atacado em águas territoriais russas. Um marinheiro, cidadão indiano, foi morto.
- Entre 25 e 27 de julho, em consequência de ataques ucranianos, um terminal de exportação de grãos em Rostov-on-Don foi danificado e, em 30 de julho, o porto marítimo de Taman também foi danificado.
- Em 3 de agosto, a 48 quilômetros da costa russa, drones ucranianos atacaram o navio Nadezhda, de bandeira camaronesa e pertencente a uma empresa turca, que transportava frutas e verduras de Samsun, na Turquia, para Novorossiysk. Quatro marinheiros ficaram feridos, a casa de máquinas foi danificada e um incêndio começou a bordo. No mesmo dia, drones ucranianos também atacaram outro navio cargueiro turco, o Yasar.

