Uma testemunha central de acusação de crimes sexuais contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), parece ter mudado de versão — mais de uma vez. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo na terça-feira (11).
Enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) aguarda esclarecimentos sobre os fatos para decidir sobre a abertura formal de inquérito solicitada pela Políca Federal (PF) na última quinta-feira (5), parlamentares envolvidos continuam a trocar acusações.
«QUEM É ALFREDO GASPAR, DEPUTADO ESCOLHIDO COMO VICE DE FLÁVIO BOLSONARO»
Entenda o caso
Em março, uma grave acusação contra Gaspar veio à tona durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS. O comerciante Luiz Antônio Lopes, de 63 anos, morador de Nilópolis, Rio de Janeiro, procurou assessores da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) relatando conhecer uma jovem alagoana que teria sido abusada por Gaspar aos 13 anos e engravidado.
Para fornecer mais detalhes, porém, teria pedido dinheiro à parlamentar.
A história ganhou dimensão no dia da apresentação do relatório final da comissão, quando Gaspar atuava como relator e pedia o indiciamento de Lulinha, filho do presidente Lula.
O clima acirrado explodiu quando Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou o deputado de "estuprador", provocando tumulto generalizado. Naquele mesmo dia, Soraya e Lindbergh encaminharam pedido de investigação à Polícia Federal.
Contudo, a narrativa sofreu reviravolta dramática em abril. Dias após a explosão do caso, Lopes apresentou versão completamente oposta em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara.
Duas versões
Desta vez, afirmou que uma funcionária de seu quiosque teria sido cooptada por assessores ligados a Lindbergh para se passar por "Jailma", a suposta vítima, numa elaborada armação contra Gaspar.
O comerciante alegou que sua própria conta bancária recebeu R$ 16.500 em transferências que estariam relacionadas à farsa. Apresentou comprovantes de Pix, mas os autores das transferências negaram conhecê-lo ou não forneceram esclarecimentos convincentes.
Uma semana após esse depoimento, Lopes se filiou ao PL, mesmo partido de Gaspar e Flávio. Posteriormente, em contatos com a imprensa, voltou a mudar de versão múltiplas vezes, ora reafirmando a acusação inicial, ora sustentando a tese da armação.
Gaspar nega as acusações, ofereceu material para exame de DNA e apresentou queixa-crime contra Lindbergh e Soraya por calúnia.
"O candidato à Vice-Presidência Alfredo Gaspar é um homem íntegro, com vida limpa, que passou a ser alvo dessa acusação falsa no dia em que ele pediu a prisão de Lulinha", escreve nota da campanha de Flávio reproduzida pela Folha de S.Paulo, classificando o episódio como uma fabricação política e prometendo responsabilização criminal dos envolvidos.
Lindbergh, por sua vez, afirmou em nota que "nega veementemente todas as declarações da suposta testemunha", acusando Lopes de ser "desafeto político" e responsável por "outros factoides, como a falsa tentativa de vinculá-lo a Adélio Bispo [autor da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018]".
"Tem uma menina mesmo na história, mas não estamos conseguindo localizá-la mais", afirmou o deputado ao jornal O Globo.
Investigações revelaram que Lopes possui histórico controverso, incluindo processo por calúnia movido por empresário e publicações nas redes sociais atacando parlamentares de esquerda e o ministro do Supremo Tribunal Fedetal (STF) Alexandre de Mores.
Em vídeos divulgados nas redes sociais, ele se apresenta como instrutor de tiro e relata participação nos atos em Brasília de 8 de janeiro de 2023.