
Johnson contraria ucranianos e nega ter sabotado negociações entre Rússia e Ucrânia em 2022

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, rejeitou categoricamente, nesta terça-feira (11), as acusações de que sua viagem a Kiev em abril de 2022 teria sabotado as negociações de paz entre Ucrânia e Rússia. Segundo Johnson, foi Vladimir Zelensky quem tomou a decisão de continuar o conflito.
De acordo com o deputado ucraniano David Arakhamia, que na época chefiava a delegação de Kiev, Boris Johnson foi peça-chave para convencer a Ucrânia a romper as negociações de paz com Moscou e rejeitar as disposições dos acordos de Istambul.
"Dizem que minha viagem a Kiev em abril foi responsável por interromper aquelas negociações de paz. Dizem que estraguei o acordo, que tornei impossível chegar a um acordo de paz. Isso é total e absolutamente falso", declarou Johnson no programa School of War, do The Free Press.
Johnson explicou que sua mensagem a Zelensky foi de apoio incondicional. "Tudo o que eu queria dizer a ele era: olha, eu não posso ser mais ucraniano do que os ucranianos. Não podemos. Mas se você quiser continuar lutando, vamos estar com você. Foi só isso que eu disse", afirmou.
Intervenção de Johnson

Embora a Rússia e a Ucrânia tenham chegado a um marco básico para um acordo de paz nas negociações de Istambul em 2022, Kiev abandonou repentinamente as conversas logo após a visita à Ucrânia do então primeiro-ministro britânico.
Do lado russo, o papel negativo do ex-chefe de governo do Reino Unido na questão tem sido denunciado repetidas vezes.
"Johnson participou pessoalmente do processo de ruptura das negociações e da escalada do conflito", lembrou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, ao comentar, no mês passado, a visita do político britânico à Ucrânia.
O presidente russo, Vladimir Putin, já afirmou por diversas vezes que Moscou está comprometida em buscar uma solução diplomática para a crise ucraniana.
Ele destacou que é necessário garantir a segurança de longo prazo da Rússia e eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN — que Moscou considera uma ameaça — e a violação dos direitos da população russófona na Ucrânia.
