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'Frente pode ruir': Ucranianos reconhecem que suas tropas sofrem de exaustão e falta de recursos

"É uma série de problemas acumulados que permanecem sem solução ano após ano", disse um analista militar ucraniano, acrescentando que a situação está se aproximando do "ponto sem retorno".
'Frente pode ruir': Ucranianos reconhecem que suas tropas sofrem de exaustão e falta de recursosGettyimages.ru / Diego Herrera Carcedo

A situação na frente ucraniana atravessa uma fase marcada pelo esgotamento das tropas, pela falta de recursos e pela crescente pressão sobre o pessoal militar destacado. É o que informam diversas figuras ligadas às esferas política e militar da Ucrânia.

Em particular, Taras Chmut, analista militar e chefe da organização pró-militar Come Back Alive, alertou que "a frente pode ruir a qualquer momento", referindo-se aos avanços das tropas russas em todas as direções da operação militar especial, publicou o jornal Ukrainskaya Pravda na terça-feira (21).

Ele também enfatizou que não apenas os soldados ucranianos estão "exauridos e desmoralizados", mas também "a sociedade na retaguarda está desmoralizada, desmotivada, desanimada e exausta". "Tudo isso leva a uma série de problemas acumulados que permanecem sem solução ano após ano. E, à medida que nos aproximamos do ponto crítico sem retorno, começamos a agir em desespero", continuou.

"Falta de iniciativa e subserviência" na liderança militar

Chmut enfatizou que esse conjunto de problemas também é consequência de uma "seleção natural reversa e negativa", referindo-se às constantes mudanças na liderança militar ucraniana. Exemplos recentes incluem a saída de Mikhail Fyodorov do cargo de ministro da Defesa e a destituição do comandante-em-chefe das Forças Armadas, Alexander Syrsky.

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O analista observou que aqueles que ascendem aos cargos mais altos são aqueles que "se guiam pelos princípios da lealdade pessoal, falta de iniciativa e subserviência, e que fornecem as informações que o chefe quer ouvir".

"Este é o sistema que, infelizmente, criamos dentro das Forças Armadas e nos ministérios, e que continua a existir e a se desenvolver", indicou. Nesse contexto, ele apontou que "comandantes de brigada que relatam a situação real são destituídos de seus cargos", enquanto "generais que falam sobre a situação real não são promovidos".

Chmut não é o único que reconhece os sérios problemas na gestão militar da Ucrânia. O jornalista ucraniano Yuri Butusov já havia declarado que o principal problema do Exército reside nas deficiências de planejamento, gestão de recursos e disponibilidade de tropas. Assim, ele enfatizou a necessidade de rápido desenvolvimento dos sistemas de comando, mudanças nas táticas e modificações na tomada de decisões operacionais e estratégicas. Segundo suas declarações, o número de soldados que chegam à frente de batalha a cada mês diminui, aumentando ainda mais a pressão sobre os que permanecem lá.

Perdas crescentes

O ex-comandante-em-chefe ucraniano, Valery Zaluzhny, também reconheceu no início de julho as dificuldades enfrentadas pelo exército ucraniano. Ele explicou que a proliferação de drones e novas tecnologias transformou o campo de batalha e aumentou as baixas necessárias para atingir até mesmo objetivos táticos.

Zaluzhny afirmou que Kiev está encontrando cada vez mais dificuldades para manter as operações devido à falta de equipamentos de proteção e ao alto custo humano dos combates. Ele enfatizou ainda que a manutenção da situação atual nas linhas de frente exige um grande número de militares, incluindo operadores de drones, unidades de apoio e infantaria.

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"O exército ucraniano está fadado à derrota"

Enquanto isso, o ex-comandante das Forças Aerotransportadas Russas, Georgy Shpak, disse à RT que as forças ucranianas esgotaram suas reservas estratégicas de pessoal e comando. "O exército ucraniano está fadado à derrota", afirmou, argumentando que Kiev não possui mais recursos suficientes para manter suas posições.

Shpak sustentou que as linhas ucranianas podem romper rapidamente se a pressão militar russa continuar. "A frente do lado ucraniano pode ruir a qualquer momento", afirmou, enfatizando que Moscou deve manter a pressão sem reduzir suas atividades.

Exército Russo avança

Enquanto isso, as forças russas continuam a conduzir a operação militar especial e avançam com sucesso por toda a linha de frente, melhorando sua posição tática e penetrando as defesas inimigas. Entre os principais avanços recentes está a libertação da cidade estratégica de Konstantinovka, em Donbas.

A ofensiva russa continua sem cessar, particularmente na direção de Dobropolie, uma cidade no noroeste de Donbas que recentemente se tornou um centro logístico estratégico. Controlá-la permitiria às forças russas abrir caminho para dois centros-chave na região: Kramatorsk e Sloviansk, completando assim a libertação da República Popular de Donetsk.

  • Kiev realiza constantemente ataques seletivos contra a população civil das províncias fronteiriças russas, ao mesmo tempo em que lança vários veículos aéreos não tripulados contra a capital russa e seus arredores. Drones e mísseis ucranianos atingem veículos, residências, áreas de lazer, shoppings e outras instalações civis, causando vítimas.