A Noruega deixará de aceitar produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026. O país, que não integra a União Europeia (UE), decidiu acompanhar a restrição adotada pelo bloco europeu. A informação foi publicada pelo portal g1 nesta terça-feira (11).
A Mattilsynet, Autoridade Norueguesa de Segurança Alimentar, detalhou como a medida será aplicada. "Remessas provenientes do Brasil não poderão ser importadas caso tenham certificado sanitário emitido em 3 de setembro de 2026 ou posteriormente. A regra permanecerá em vigor até que o Brasil eventualmente volte a ser incluído na lista de países terceiros autorizados", afirmou.
A Noruega representa menos de 1% das exportações brasileiras de carne bovina, tanto em volume quanto em valor, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura brasileiro.
Restrições europeias
A decisão norueguesa acompanha a medida da UE, que retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos ao bloco. A restrição europeia inclui carnes, tripas, peixes e mel.
Bruxelas atribuiu a medida às regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária. O bloco considera insuficientes os controles brasileiros sobre essas substâncias e cobra garantias adicionais, apesar de o Brasil ter proibido parte dos antimicrobianos utilizados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu, no dia 16 de junho, as restrições a produtos brasileiros com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, durante encontro em Evian, na França, no âmbito da cúpula do G7.
Reação brasileira
Após a reunião, foi acertada a criação de um mecanismo entre o Itamaraty e representantes da Comissão Europeia para identificar e discutir entraves às exportações brasileiras, especialmente nos setores de produtos de origem animal e siderúrgicos.
"As partes se comprometeram a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, consubstanciados no acordo Mercosul-União Europeia", informou o Palácio do Planalto.
Representantes do agronegócio brasileiro avaliaram a restrição como uma medida de caráter protecionista. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes afirmou que o país possui "um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo" e que a carne bovina brasileira atende às exigências de mais de 170 países.
Acordo comercial
A medida europeia foi anunciada após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, alvo de resistência de produtores europeus. Agricultores do bloco temem que o aumento das importações de produtos sul-americanos mais baratos prejudique sua competitividade.
Argentina, Paraguai e Uruguai, os outros integrantes do Mercosul, permanecem autorizados a exportar para a União Europeia.