
Governo busca reverter restrições da União Europeia à carne brasileira

O governo brasileiro afirmou nesta quarta-feira (13) que irá adotar medidas para atender às exigências sanitárias da União Europeia após o bloco retirar o país da lista de exportadores autorizados de carne bovina e de frango,informou o jornal Folha de S.Paulo.

A decisão europeia foi justificada por alegações de descumprimento das regras relacionadas ao uso de antibióticos na pecuária e na avicultura.
Durante evento promovido pela Abramilho, em Brasília, o ministro da Agricultura, André de Paula, declarou que o governo federal e o setor privado atuarão em conjunto para garantir a retomada das exportações ao mercado europeu.
"Temos convicção de que as exigências serão atendidas e que não teremos interrompido nosso fornecimento de proteína animal para o mercado europeu", afirmou o ministro. Segundo ele, "todas as medidas" necessárias serão implementadas para adequar a produção brasileira às normas exigidas pela União Europeia.
A restrição anunciada pelo bloco europeu entra em vigor em setembro e pode afetar exportações avaliadas em cerca de US$ 2 bilhões. Além da carne bovina e de frango, a medida também alcança ovos, pescado e mel.
André de Paula afirmou que o governo brasileiro foi surpreendido pela ampliação das restrições. De acordo com ele, as negociações em andamento estavam concentradas inicialmente no setor de bovinos.
"Uma coisa que nos surpreendeu ontem, nós vínhamos num processo de negociação relacionada a bovinos, e ontem, além de nos retirarem da lista, foi anunciado que isso atingiria aves, ovos, pescado e mel", declarou.
Segundo o ministro, o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, recebeu sinalização de autoridades europeias de que a análise poderá ocorrer separadamente para cada cadeia produtiva. O chefe da pasta, no entanto, não detalhou como funcionaria esse modelo de avaliação.
O Ministério da Agricultura publicou em abril duas portarias voltadas ao cumprimento das exigências sanitárias europeias. As medidas restringem o uso de determinados antibióticos utilizados em humanos para tratamento preventivo em animais.
Apesar disso, o governo brasileiro autorizou o uso de medicamentos que ainda permanecem em estoque até outubro, prazo superior ao limite estabelecido pela União Europeia, fixado para setembro.
Em nota divulgada na terça-feira (12), o governo brasileiro afirmou que trabalha para reverter a decisão europeia e manter o fluxo comercial com o bloco.

