'Guerra psicológica': presidente de Cuba comenta relatos sobre aumento das operações da CIA contra Cuba

Miguel Díaz-Canel afirmou que os recentes relatos publicados pela mídia americana fazem parte de uma estratégia deliberada de Washington para pressionar a ilha.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou neste sábado (8) a campanha de "guerra psicológica" promovida pelos Estados Unidos em resposta a notícias sobre o aumento das operações da CIA voltadas a desestabilizar a situação interna da ilha.

O presidente afirmou que as informações divulgadas recentemente por veículos de comunicação americanos "não são vazamentos aleatórios", mas parte de um "plano deliberado do regime dos Estados Unidos para travar uma guerra psicológica contra Cuba". Ele destacou que essas publicações buscam reforçar a pressão política e econômica sobre a nação caribenha.

"Válvulas de escape"

Díaz-Canel relacionou essas reportagens a declarações recentes do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que afirmou que as sanções contra o governo cubano serão intensificadas. O presidente cubano interpretou essas palavras como um reconhecimento das dificuldades enfrentadas pela ilha em razão de uma "guerra econômica sem precedentes" e denunciou a intenção de Washington de privar o país de qualquer "válvula de escape".

O líder cubano também acusou os Estados Unidos de intensificar as ameaças contra Cuba por meio de sanções, da manutenção do país na lista americana de patrocinadores do terrorismo e de novas acusações ligadas a atividades de espionagem e apoio a movimentos radicais. Díaz-Canel classificou essas acusações como "ridículas" e afirmou que elas são um mero pretexto justificar novas medidas punitivas.

Díaz-Canel citou ainda declarações de especialistas das Nações Unidas que já questionaram as sanções unilaterais impostas a Cuba por considerá-las uma violação do direito internacional. O presidente cubano encerrou seu pronunciamento exigindo o fim das medidas e ações que, segundo ele, violam a soberania de Cuba, e pediu à comunidade internacional que não se torne "cúmplice" da política hostil de Washington em relação à ilha.

O embargo contra Cuba

Washington mantém um bloqueio econômico e comercial contra a ilha há mais de seis décadas. Desde que assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025, o governo Trump intensificou as medidas para sufocar economicamente Cuba.

Essa políticatem sido acompanhada de ameaças graves — Trump chegou a manifestar disposição de usar a força, caso necessário, para derrubar o governo cubano, que, por sua vez, classifica essas ações como "genocídio".

O governo Trump, que mantém presença militar ativa no Caribe por meio de tropas do Comando Sul dos Estados Unidos, admitiu repetidamente que seu objetivo é impedir Havana de gerar qualquer tipo de receita econômica, chegando a bloquear o fornecimento de petróleo ao país, insumo essencial para suas necessidades energéticas.

Essa situação vem impactando severamente a economia da ilha, que nos últimos meses sofreu os efeitos de um bloqueio reforçado por diversas medidas coercitivas da Casa Branca — comprometendo serviços essenciais como combustível, eletricidade, saúde, educação, transporte, alimentação e turismo.