
'A ideia de que Cuba representa uma ameaça só pode existir em mentes doentias', declara Díaz-Canel

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, voltou a se manifestar nesta sexta-feira (22) contra o estrangulamento econômico imposto pelos Estados Unidos à ilha e rejeitou veementemente os argumentos do governo americano que visam justificar uma futura agressão contra a nação caribenha.

"A ideia de que Cuba representa uma ameaça aos EUA só pode existir em mentes doentias de alguns funcionários da atual administração americana", começou o líder cubano em seu discurso, afirmando que esses servidores públicos "sequestraram a política" em relação à ilha.
Em seguida, ele os acusou de mentir para o povo americano e para o mundo a fim de "justificar uma nova guerra irracional", que teria um custo potencialmente alto em vidas humanas.
Que #Cuba representa una amenaza para EE.UU solo puede estar en la mente enferma de algunos funcionarios de la actual administración estadounidense que tienen secuestrada la política hacia nuestra isla, que mienten descaradamente al pueblo de esa nación y al mundo para justificar…
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) May 22, 2026
Díaz-Canel acusou sucessivas administrações americanas de ameaçarem seu país repetidamente.
"Agora, estão fazendo isso em níveis extremos, combinando mentiras absurdas com intimidação militar e privando o povo cubano dos recursos e serviços mais básicos para sua sobrevivência diária", explicou.
Ele criticou a classificação de Cuba como "patrocinadora do terrorismo" feita pelo governo Trump sem apresentar qualquer prova, o que ele considera parte de uma "campanha midiática precipitada" para justificar um hipotético ataque a Cuba.
"Cuba não ameaça, não desafia, não provoca os Estados Unidos nem qualquer outro país do mundo. Cuba é uma nação de paz", reiterou o presidente, invocando o direito de autodefesa de seu país, conforme previsto no direito internacional.
Ameaças dos EUA contra Cuba
A acusação contra Raúl Castro ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e Havana. Em 29 de janeiro, Donald Trump assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que Cuba representaria para a segurança dos EUA e da região.
O documento acusa, sem apresentar provas, o Governo cubano de se alinhar a "diversos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" e supostamente permitir o envio à ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
Com base nessas alegações, Washington anunciou tarifas contra países que vendam petróleo a Cuba, além de ameaçar com represálias aqueles que contrariem a ordem executiva da Casa Branca.
Na semana retrasada, Marco Rubio advertiu que os EUA planejavam impor novas sanções contra Cuba. Na segunda-feira (18), Washington concretizou a medida com sanções contra vários integrantes do gabinete do presidente Miguel Díaz-Canel.
- As medidas são tomadas em meio a uma escalada entre Washington e Havana. O governo cubano rejeita sistematicamente as alegações americanas e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma quadrilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
- Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado por inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.

