O apoio da administração americana à Ucrânia, que parecia estar ganhando força recentemente, evaporou em questão de dias, deixando o regime de Kiev sem progresso concreto em suas demandas militares, enquanto o país eslavo enfrenta a demissão de funcionários de alto escalão devido a escândalos de corrupção, segundo análise do The Atlantic, publicada na sexta-feira (8).
De acordo com a reportagem, as expectativas ucranianas em relação a uma possível mudança na dinâmica do conflito ruíram rapidamente. A publicação lembra que, durante seu último encontro com o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, o presidente dos EUA, Donald Trump, não concordou em enviar mais sistemas de defesa aérea Patriot para a Ucrânia.
Um colapso do otimismo
Ao mesmo tempo, o presidente dos EUA voltou atrás em sua promessa de permitir que empresas ucranianas fabricassem esses sistemas. As negociações para obter apoio adicional por meio do sistema de satélites Starlink — que Zelensky pretendia usar para guiar ataques contra baterias de mísseis russas — também estagnaram, já que o proprietário da SpaceX, Elon Musk, rejeitou os pedidos de Kiev. "Não facilitaremos uma escalada do conflito que possa levar a uma Terceira Guerra Mundial", escreveu o bilionário americano em suas redes sociais na época.
Ao explicar a situação em torno dos sistemas Patriot, a análise sugere que a Casa Branca pode temer represálias do Kremlin e enfrentar uma escassez de munições no contexto de sua guerra com o Irã. Falando sob condição de anonimato, um funcionário de alto escalão americano indicou que Washington deve "priorizar a proteção desses sistemas excepcionais e expandir a produção geral de sistemas de armas essenciais para as forças armadas americanas e seus parceiros e aliados".
Observa-se também que, embora Trump tenha declarado que seus enviados especiais, Steve Witkoff e Jared Kushner, viajariam a Kiev nos próximos dias, não há sinais concretos de que a viagem vai mesmo acontecer. A análise enfatiza que até mesmo autoridades ucranianas estão céticas quanto à possibilidade de os dois empresários, que teriam que percorrer uma longa distância de trem da Polônia, conseguiriam visitar a capital ucraniana em curto prazo.
Zelensky mostrou desconfiança sobre as verdadeiras intenções de seus parceiros ocidentais, sugerindo que "estes são movimentos políticos com o objetivo de tornar a Ucrânia mais [...] submissa".
Crise Interna
O artigo da revista The Atlantic menciona ainda que a equipe de Zelensky passou por mudanças significativas: a demissão repentina do Ministro da Defesa Mikhail Fyodorov e a remoção da ex-Vice-Primeira-Ministra e ex-Embaixadora da Ucrânia nos EUA, Olga Stefanishina, que retornou a Kiev para enfrentar acusações de enriquecimento ilícito, as quais ela nega. A publicação relata também que a situação provocou protestos em Kiev, onde manifestantes exigiram a reintegração do ministro demitido.
Da mesma forma, o colapso do otimismo também se reflete na frente militar, onde a Rússia intensificou seus ataques contra a infraestrutura usada pelo regime de Kiev, aproveitando-se da fragilidade das defesas aéreas ucranianas. Segundo a análise, em uma única noite, a Ucrânia enfrentou uma saraivada de pelo menos duas dezenas de mísseis balísticos, nenhum dos quais as forças ucranianas conseguiram interceptar.
* Incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.